“O PESCADOR CEGO” (1988) E AS ESTRATÉGIAS DE CONSTITUIÇÃO DO INSÓLITO NO CONTO DE MIA COUTO
DOI:
https://doi.org/10.22478/ufpb.1516-1536.2025v27n1.73589Palavras-chave:
Literatura africana, Insólito, Realismo animista, Mia CoutoResumo
“O pescador cego”, conto do moçambicano Mia Couto, provoca estranhamento no leitor por meio de uma narrativa insólita que irrompe do cotidiano dos personagens inseridos em uma trama aparentemente circunscrita à realidade cartesiana. Na obra, o autor utiliza como recurso estético um narrador heterodiegético e, por conseguinte, sua perspectiva é externa à trama. No entanto, esse observador externo insiste em aproximar-se cada vez mais do objeto de seu relato, por meio de reflexões filosóficas e questionamentos que direcionam o olhar do leitor para a compreensão de determinadas ações dos personagens, desvendando símbolos e comportamentos culturais e antecipando significações. Wittmann (2012) observa que, quando se fala em fantástico e em mágico, refere-se a uma visada ocidental, uma vez que, na cultura africana, o sobrenatural é tido como natural. Paradiso (2015) avalia que, em se tratando de Literatura Africana, certos fenômenos, mesmo considerados absurdos, incomuns ou impossíveis às demais civilizações, são comuns e são imanentes às percepções do real, ou seja, à realidade animista. Tendo isso em vista, esta análise do conto “O pescador cego”, de Mia Couto, objetiva identificar o conjunto de estratégias de composição do insólito no cerne dessa narrativa, de modo a compará-la com outras concepções teóricas acerca de formas estéticas semelhantes (ao insólito) na literatura ocidental, observando-se as diferenças e semelhanças entre os recursos narrativos, bem como discutem-se os conceitos de fantástico, maravilhoso e mágico, contrapondo-os à ideia de realismo animista, proposto por escritores e críticos africanos.
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Referências
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