Boneca, Patrimônio Ou Sujeito?

Bebês Reborn, Neoliberalismo Afetivo E Os Limites Do Direito Civil

Autores

DOI:

https://doi.org/10.22478/ufpb.1678-2593.2024v23n54.74501

Palavras-chave:

Objetos simbólicos; Subjetividade jurídica; Afetividade mediada por plataformas; Disputas judiciais não convencionais; Economia digital do afeto.

Resumo

Este artigo analisa o fenômeno jurídico-social dos bebês reborn – bonecas hiper-realistas que simulam recém-nascidos – à luz da psicanálise lacaniana, da crítica da economia política (crítica ao neoliberalismo) e da teoria do Direito Civil brasileiro. Partindo do caso ocorrido em Goiânia (2025), no qual duas mulheres disputaram judicialmente a “guarda” de um reborn com perfil monetizado nas redes sociais, o estudo investiga como a monetização simbólica do afeto desloca os limites tradicionais entre sujeito, objeto e patrimônio. A hipótese é que a racionalidade neoliberal e a plataformização da vida cotidiana criam zonas híbridas de subjetivação e propriedade, nas quais o reborn deixa de ser um simples bem para assumir valor simbólico, emocional e econômico. O artigo se estrutura em quatro eixos: (1) o neoliberalismo afetivo e a estetização do cuidado; (2) o reborn como objeto a e simulacro de luto; (3) os desafios que ele impõe à personalidade jurídica, à guarda e ao patrimônio; e (4) sua inserção como ativo digital herdável. Conclui-se que o Direito Civil é cada vez mais interpelado por vínculos afetivos performáticos e simbólicos, exigindo novos conceitos – como bens simbólicos performáticos – capazes de lidar com subjetividades juridicamente não previstas, mas socialmente legitimadas.

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Biografia do Autor

Janaína Alves More, UTFPR

Doutoranda em Administração no PPGA da Universidade Positivo (Bolsista Capes). Mestra (Bolsista Capes) em Administração pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná (2022) e Graduada em Letras-Português pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (2001). Especialista em Comunicação e Semiótica(Bolsista Pibic) pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (2005). Especialista em Gestão Estratégica pela Universidade Positivo (2020). Graduanda em Administração e Letras/Inglês pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (Atual). Revisora de textos Acadêmicos. Mentora de escrita acadêmica.Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Literatura, Gramática e Produção de Texto. Professora de Língua Portuguesa, Literatura, História da Arte e Empreendedorismo. Escreve materiais didáticos nas áreas de Administração e Letras. Mentora graduandos e pós-graduandos em escrita acadêmica. Lidera o Grupo de Pesquisa em Análise Crítica do Discurso (Universidade Positivo).

Bianca Gomes Lima da Rocha, UTFPR

Mestra em Administração pelo PPGA da UTFPR (2019). É bacharela em Administração pela União Educacional de Brasília - UNEB (2014). Graduada em Gestão de Negócios e Empreendimentos também pela UNEB (2014). Especialista em Direito Administrativo pela Cândido Mendes (2014). Desde 2021, é servidora Técnica Judiciária pelo Tribunal de Justiça do Estado do Paraná (TJPR), onde exerceu, em 2022, o cargo de Chefa de Secretaria do primeiro grau no Juízo Único da Comarca de Marilândia do Sul, atuando diretamente vara criminal. Em 2023, esteve lotada na Divisão de Gestão de Recursos Humanos - DGRH - em Curitiba (Assessoria Técnica e, em seguida, na Divisão de Triagem, Controle de Frequência e Vantagens Funcionais). Atualmente, é Chefe da Seção de Gestão de Auxílio-saúde e SAS da Divisão de Gestão de Benefícios da Coordenadoria de Pagamento e Benefícios da Secretaria de Gestão de Pessoas.Atuou na área de Gestão de Pessoas por 5 anos, onde exerceu o cargo de Chefe do Núcleo de Pagamento (2012 - 2016) e de Assessora Técnica da Gerência de Registros Financeiros e Funcionais (2016), ambos na Secretaria de Agricultura do Governo do Distrito Federal. Nesse órgão, exerceu, também, atividades relacionadas à Regularização Fundiária, no departamento de Geoprocessamento de Dados e Informações Territoriais, substituindo eventualmente o gerente titular da pasta (2016 a 2021).

André Peixoto de Souza , UFPR

Doutor (2010) e Mestre (2003) em Direito do Estado pela UFPR. Doutor em Filosofia, História e Educação pela UNICAMP (2011). Especialista em Direito Tributário pelo IBEJ (1999). Bacharel em Direito pela UTP (1998). Licenciado e Bacharel em História pela UFPR (1998). Professor pesquisador do PPGD-UNINTER. Professor de Economia Política e Psicologia Jurídica nas Faculdades de Direito da UFPR e UNINTER. Professor de Filosofia e História do Direito na Escola da Magistratura do Paraná (EMAP). Pesquisador do Grupo "Direito, História e Poder Judiciário", do PPGD-UNINTER. Pesquisador do Núcleo "História, Direito e Subjetividade", do PPGD-UFPR. Membro do Instituto Brasileiro de História do Direito (IBHD).

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Publicado

2025-12-13

Como Citar

MORE, Janaína Alves; ROCHA, Bianca Gomes Lima da; SOUZA , André Peixoto de. Boneca, Patrimônio Ou Sujeito? Bebês Reborn, Neoliberalismo Afetivo E Os Limites Do Direito Civil . Prim Facie, [S. l.], v. 23, n. 54, 2025. DOI: 10.22478/ufpb.1678-2593.2024v23n54.74501. Disponível em: https://periodicos.ufpb.br/index.php/primafacie/article/view/74501. Acesso em: 2 jun. 2026.

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