OS ACORDES DA DIALÉTICA NEGATIVA E A METODOLOGIA PARATÁTICA:
POR UMA EPISTEMOLOGIA DO NÃO-IDÊNTICO
DOI:
https://doi.org/10.7443/problemata.v17i3.77708Palavras-chave:
Adorno., Dialética negativa, Parataxe., Não-identidade.Resumo
Este estudo tem como objetivo analisar a perspectiva de Theodor W. Adorno acerca de sua metodologia paratática, entendida como expressão de seu pensamento dialético negativo, tendo Hegel como principal interlocutor e adversário teórico. A investigação percorre, em um primeiro momento, as distinções entre teoria crítica e teoria tradicional, a fim de contextualizar o surgimento e a efervescência dos acordes da dialética negativa adorniana. Nesse sentido, busca-se evidenciar as fissuras da dialética identificadora hegeliana e, simultaneamente, destacar os acordes dissidentes propostos por Adorno em seu pensamento constelar, entre eles: o princípio da não-identidade, o aprisionamento do objeto nas malhas subjetivas, a negatividade como impulso crítico, a constelação como forma cognitiva e estética, e o duplo sentido do conceito enquanto expressão da ideia de constelação. Nesse percurso, torna-se inevitável apontar o epistemicídio inscrito na dialética hegeliana: ao submeter o particular ao todo conceitual, Hegel realiza uma operação de anulação da alteridade – uma espécie de morte do não-idêntico – que Adorno denuncia como violência teórica e como o gesto inaugural da razão que, ao identificar, elimina aquilo que não se deixa plenamente conceituar. Adorno evidencia que essa vontade de totalidade, presente na lógica hegeliana, converte-se em supressão sistemática da diferença, instaurando uma forma de racionalidade que sacrifica a singularidade no altar do conceito. A pesquisa adota como método a dialética negativa, tendo o parataxismo como eixo propulsor no confronto com a perspectiva hegeliana. Por fim, examina-se a relação entre a metodologia paratática e a literatura como manifestação do não-conceitual, destacando a relevância da solidariedade e da empatia transgressiva na prática docente, capazes de devolver ao ensino de filosofia e à experiência do pensamento o direito à incerteza, à imaginação e à emancipação crítica.
Downloads
Referências
ADORNO, Theodor W. Três estudos sobre Hegel. Tradução de Ulisses Razzante Vaccari. São Paulo: Editora Unesp, 2013.
ADORNO, Theodor. A atualidade da filosofia. Tradução de Bruno Pucci e Newton Ramos de Oliveira. Piracicaba: UNIMEP. 2000.
ADORNO, Theodor. Dialética negativa. Tradução de Marco Antônio Casanova. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2009.
ADORNO, Theodor. Educação e emancipação. 4ª ed. Tradução de Wolfgang Leo Maar. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2006.
ADORNO, Theodor. Notas Marginais sobre Teoria e Práxis. In: Palavras e sinais: modelos críticos 2. Trad. Maria Helena Ruschel. Petrópolis: Vozes, 1995.
ADORNO, Theodor. Notas Marginais sobre Teoria e Práxis. In: Palavras e sinais: modelos críticos 2. Tradução de Maria Helena Ruschel. Petrópolis: Vozes, 1995a.
ADORNO, Theodor; HORKHEIMER, Max. Dialética do esclarecimento: fragmentos filosóficos. Tradução de Guido Antônio de Almeida. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1985.
BRONTË, Emily. O morro dos ventos uivantes. Tradução de Rachel de Queiroz. São Paulo: Editora Abril Cultural, 1971.
FONSECA, Rubem. Feliz ano novo. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 1975.
GINZBURG, Jaime. Crítica em tempos de violência. São Paulo: EdUSP, FAPESP, 2012
HEGEL, G. W. F. Lições sobre a filosofia da história universal. Tradução de Paulo Meneses. 2. ed. São Paulo: Loyola, 1995.
HEGEL, G.W.F. A Fenomenologia do Espírito. Tradução de Henrique Cláudio de Lima Vaz. São Paulo: Ed. Abril, 1974. (Coleção Os Pensadores).
HEGEL, G.W.F. Fenomenologia do espírito. Tradução de Paulo Meneses e José Nogueira Machado. 4ª ed. Petrópolis: Vozes, 1999. Parte II.
HEGEL, G.W.F. Fenomenologia do espírito. Tradução de Paulo Meneses e Karl-Hetnz Efken. 2ª ed. Petrópolis: Vozes, 1992. Parte I.
KAFKA, Franz. A metamorfose. Tradução de Modesto Carone. São Paulo: Companhia das Letras, 1997.
KAFKA, Franz. Carta ao pai. Tradução de Modesto Carone. São Paulo: Companhia das Letras, 1997.
LEOPOLDO E SILVA, F. Conhecimento e razão instrumental. In: Psicologia USP, São Paulo, v.8, n.1, p. 11-31, 1997. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1590/S0103-65641997000100002. Acesso em: 25 de jul. de 2018.
PERIUS, Oneide. Esclarecimento e dialética negativa: sobre a negatividade do conceito em Theodor W. Adorno. Passo Fundo: Instituto Superior de Filosofia Berthier, 2008.
PUCCI, Bruno. Dialética negativa enquanto metodologia de pesquisa em educação: atualidades. In: Revista e-curriculum, São Paulo, v. 8 n. 1. Abril 2012 Disponível em: http://revistas.pucsp.br/index.php/curriculum. Acesso em 02 jan. 2018.
Pucci; Ramos-de-Oliveira; Zuin, 1999, p. 56).
RUSH, Fred. As bases conceituais da primeira teoria crítica. In: ________. (Org.) Teoria crítica. Tradução de Breatriz Katnsk e Regina Andrés Rebollo. Aparecida: Ideias & Letras, 2008
RUSH, Fred. Teoria crítica. Tradução de Beatriz Katinsky e Regina Andrés Rebollo. Aparecida, SP: Ideias & Letras, 2008.
SAFATLE, Vladimir. Prefácio. In: Três estudos sobre Hegel. Tradução de Ulisses Razzante Vaccari. São Paulo: Editora Unesp, 2013.
SINNERBRINK, Robert. Hegelianismo. Tradução de Fábio Creder. Petrópolis, RJ: Vozes, 2017.
THOMSON, Alex. Compreender Adorno. Trad. de Rogério Bettoni. Petrópolis: Vozes, 2010.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Francisco Atualpa Ribeiro Filho

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Autores que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos:
- Autores mantém os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Licença Creative Commons Attribution que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista.
- Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.
- Autores têm permissão e são estimulados a publicar e distribuir seu trabalho online (ex.: em repositórios institucionais ou na sua página pessoal) a qualquer ponto antes ou durante o processo editorial, já que isso pode gerar alterações produtivas, bem como aumentar o impacto e a citação do trabalho publicado (Veja O Efeito do Acesso Livre).