OS ACORDES DA DIALÉTICA NEGATIVA E A METODOLOGIA PARATÁTICA:

POR UMA EPISTEMOLOGIA DO NÃO-IDÊNTICO

Autores

  • Francisco Atualpa Ribeiro Filho Seduc-CE

DOI:

https://doi.org/10.7443/problemata.v17i3.77708

Palavras-chave:

Adorno., Dialética negativa, Parataxe., Não-identidade.

Resumo

Este estudo tem como objetivo analisar a perspectiva de Theodor W. Adorno acerca de sua metodologia paratática, entendida como expressão de seu pensamento dialético negativo, tendo Hegel como principal interlocutor e adversário teórico. A investigação percorre, em um primeiro momento, as distinções entre teoria crítica e teoria tradicional, a fim de contextualizar o surgimento e a efervescência dos acordes da dialética negativa adorniana. Nesse sentido, busca-se evidenciar as fissuras da dialética identificadora hegeliana e, simultaneamente, destacar os acordes dissidentes propostos por Adorno em seu pensamento constelar, entre eles: o princípio da não-identidade, o aprisionamento do objeto nas malhas subjetivas, a negatividade como impulso crítico, a constelação como forma cognitiva e estética, e o duplo sentido do conceito enquanto expressão da ideia de constelação. Nesse percurso, torna-se inevitável apontar o epistemicídio inscrito na dialética hegeliana: ao submeter o particular ao todo conceitual, Hegel realiza uma operação de anulação da alteridade – uma espécie de morte do não-idêntico – que Adorno denuncia como violência teórica e como o gesto inaugural da razão que, ao identificar, elimina aquilo que não se deixa plenamente conceituar. Adorno evidencia que essa vontade de totalidade, presente na lógica hegeliana, converte-se em supressão sistemática da diferença, instaurando uma forma de racionalidade que sacrifica a singularidade no altar do conceito. A pesquisa adota como método a dialética negativa, tendo o parataxismo como eixo propulsor no confronto com a perspectiva hegeliana. Por fim, examina-se a relação entre a metodologia paratática e a literatura como manifestação do não-conceitual, destacando a relevância da solidariedade e da empatia transgressiva na prática docente, capazes de devolver ao ensino de filosofia e à experiência do pensamento o direito à incerteza, à imaginação e à emancipação crítica. 

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Biografia do Autor

Francisco Atualpa Ribeiro Filho, Seduc-CE

Mestre em Filosofia (UFPI). Doutorando em Filosofia (UFPI).

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Publicado

30-09-2026

Como Citar

Ribeiro Filho, F. A. (2026). OS ACORDES DA DIALÉTICA NEGATIVA E A METODOLOGIA PARATÁTICA: : POR UMA EPISTEMOLOGIA DO NÃO-IDÊNTICO. Problemata - Revista Internacional De Filosofia, 17(3), 107–127. https://doi.org/10.7443/problemata.v17i3.77708

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