BIBLIOTECA NA PRISÃO NÃO É ACERVO, É AÇÃO

BIBLIOTECA EN LA PRISIÓN NO ÉS COLECCIÓN, ÉS ACCIÓN

Palavras-chave: Biblioteconomia, Educação Popular, Educação Prisional

Resumo

Este ensaio trata da biblioteca na prisão para além de uma simples coleção de livros. Objetiva propor linhas de pensamento sobre bibliotecas em espaços de encarceramento e relatar uma experiência de extensão universitária na prisão. Metodologicamente é uma autoetnografia com subsídios teóricos de outras fontes documentais e bibliográficas. Propõe que a biblioteca na prisão seja popular na perspectiva dos movimentos sociais pelo direito à educação, à formação e à cidadania. Destaca sobremaneira a importância de uma política global de bibliotecas, articulando sistemas e redes municipais, estaduais e da esfera federal, com planejamento, profissionais formados e que a biblioteca não seja somente um espaço de depósito de livros. Deve ser também espaço do encontro, do registro de saberes locais e da formação humana. A biblioteca popular como ação na prisão deve ser construída com base em quatro pilares necessários: planejamento, organização, interação com todas atividades locais e registro de saberes locais.

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Biografia do Autor

Marcos Felipe Gonçalves Maia, Universidade Federal do Tocantins/Universidade Federal da Paraíba

Doutorando em Educação pela Universidade Federal da Paraíba. Mestre em Educação (UFT). Bacharel em Biblioteconomia (UnB), Bibliotecário na UFT/Palmas.

Carolina Souza Pedreira, Universidade Federal do Tocantins

Doutora em Antropologia (UnB). Professora Adjunta do curso de Psicologia (UFT).

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Publicado
2020-07-30
Como Citar
GONÇALVES MAIA, M. F.; SOUZA PEDREIRA, C. BIBLIOTECA NA PRISÃO NÃO É ACERVO, É AÇÃO. Revista Temas em Educação, v. 29, n. 2, 30 jul. 2020.
Seção
DOSSIÊ – EXPRESSÕES EDUCATIVAS E CULTURAIS NO ESPAÇO DE PRIVAÇÃO DE LIBERDADE