TORRE DAS DONZELAS: MEMÓRIAS DAS EXPERIÊNCIAS DE LIBERDADE E RESISTÊNCIA NO CÁRCERE

TORRE DAS DONZELAS: MEMORIES OF THE EXPERIENCES OF FREEDOM AND RESISTANCE IN PRISON

Palavras-chave: Cinema e história, Memória, Ditadura militar, Gênero, Presas políticas

Resumo

O artigo discute as relações entre cinema, história e memória de mulheres, presas políticas que fizeram oposição e resistência ao regime militar brasileiro na década de 1970, com base na análise do documentário Torre das Donzelas (2018). O documentário reúne depoimentos de mulheres que foram perseguidas, presas e confinadas no Presídio Tiradentes, na ala feminina, denominada ‘Torre das Donzelas’. No que se refere ao campo das relações entre Cinema e História, apresenta-se a obra cinematográfica, ao mesmo tempo, como ‘fonte, sujeito, tecnologia e meio de representação’ para a análise histórica. A utilização da fonte fílmica como corpus documental, a análise dos discursos e práticas cinematográficas têm permitido, aos historiadores da área de história cultural, política, bem como aos cientistas sociais, observarem, também, os usos, recepções e apropriações dos discursos em obras cinematográficas. Quanto à memória entendida como de relações de poder ‒ como um campo de conflitos, disputas, embates e disputas de narrativas de um determinado evento, entre grupos e/ou comunidades, que pode ser observado na construção de uma ‘memória oficial’ procurando silenciar e se sobrepor às chamadas ‘memórias subterrâneas’ ‒, a análise fílmica possibilitou a reflexão sobre a  construção de outra memória sobre as graves violações dos direitos humanos vividas por um grupo de mulheres no período do regime militar. A prisão, as torturas vivenciadas por essas mulheres, certamente, constituíram traumas permanentes, mas, também, foram construídas, nesse processo, várias formas de resistências no cárcere, sem perder a própria humanidade e a importância da luta.

 

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Biografia do Autor

Vanda Lúcia Praxedes, Universidade Federal de Minas Gerais

Pós-Doutora em Educação pelo Programa CAPES/PNPD (2014-2015). Doutora em História - FAFICH/UFMG (2008). Mestre em História Social da Cultura pela Universidade Federal de Minas Gerais (2003). Graduada em História pela Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Belo Horizonte. Professora/Pesquisadora da Universidade do Estado de Minas Gerais/Unidade Divinópolis. Membro e pesquisadora do Programa Ações Afirmativas na UFMG e dos Núcleos de Pesquisa: sobre Relações Étnico-raciais e Ações Afirmativas - NERA, NEPHELA e GEIQ sediados na Faculdade de Educação da UFMG. Membro do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Educação e Linguagem ? NEPEL/FAE/CBH/UEMG e do Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Tecnologias e Processos de Subjetivação da UNESP/SP. Desenvolve trabalhos e pesquisas na área de Organização, Digitalização de Acervos de Arquvos sobre História do Negro em Minas Gerais e cidadania - com projetos desenvolvidos nos acervos da Cúria de Diamantina e Casa Borba Gato em Sabará e em Cabo Verde - Histórias Cruzadas; História da Infância, História das Mulheres, Educação e História Oral, Educação Patrimonial, Políticas Públicas e Direitos Sociais, História da África e da diáspora, Culturas Políticas com ênfase em Memória, Ditatura e Movimentos Sociais. Tem experiência na área de Educação com ênfase em Educação e Relações Étnico-raciais, História da Educação e Educação Popular; na área de História, com ênfase em História de Minas, História da África e Relações Étnico-raciais, Livros Didáticos de História, História Oral e Contemprânea, Metodologia e Pesquisa Histórica, Digitalização de Acervos. Tem desenvolvido pesquisas com as seguintes temáticas: infância, mulheres, família, gênero, trajetórias, escravidão, alforrias e processos de liberdade, Direitos e Cidadania. Na área de Educação trabalha com Formação Inicial e Continuada de Professores da Educação Básica na área de História da África e Relações Étnico-raciais, Metodologia de Pesquisa, História da Educação, Políticas públicas e direitos. Foi Coordenadora Executiva do Projeto "Legados da Diáspora Africana no Brasil e nos Estados Unidos: desigualdades persistentes", no âmbito do Programa CAPES/FIPSE (2011-2015), em consórcio com as Universidades de Winston-Salem State University, University North Carolina at Charlotte - Carolina do Norte, EUA e UFMG, UFPE e PUC-RIo. Participa, atualmente,, do Programa de Cooperação Internacional da CAPES, no âmbito do Programa Pró-Mobilidade Internacional CAPES/AULP (2013-2017) com projetos e pesquisas sendo desenvolvidos em Cabo Verde e Angola e do Programa de Mobilidade Internacional CAPES/Abdias Nascimento (2016-2018) em consórcio com as Universidades: do Estado de Minas Gerais, de Coimbra, de Lisboa, de Cabo Verde,, de Laval - Quebec e Centro de Investigación y de Estudios Avanzados del Instituto Politécnico Nacional ? Mexico. Participou do Projeto Direito à Memória e à Verdade na Comissão da Verdade em Minas Gerais.

Haydenée Gomes Soares Manso, Universidade Federal de Minas Gerais

Graduada em Pedagogia pela Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais. Foi bolsista de Iniciação Científica pelo CNPq no projeto "A experiência do cinema na docência: outros enredos e telas de professores/as" (Edital Universal 14/2014) Faculdade de Educação/UFMG coordenado pela Prof.ª Inês Assunção de Castro Teixeira. É integrante do Grupo de Pesquisa e Extensão Mutum: Educação, Docência e Cinema (PRODOC-FaE-UFMG).

Referências

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CONTRACENA. 2010. Brasil. Direção de Susanna Lira. Documentário.

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INTOLERÂNCIA.doc. 2016. Brasil. Direção de Susanna Lira. Documentário. Dur. 85 min.

LEGÍTIMA defesa. 2017. Brasil. Direção de Susanna Lira. Documentário. Dur. 78 min.

LEVANTE!. 2015. Brasil. Direção de Susanna Lira. Documentário. Dur. 55 min.

MATARAM nossos filhos. 2016. Brasil. Direção de Susanna Lira. Documentário. Dur. 71 min.

MUSSUM, um filme do Cacildis. 2019. Brasil. Direção de Susanna Lira. Documentário. Dur. 76 min.

NÃO saia hoje. 2016. Brasil. Direção de Susanna Lira. Documentário. Dur. 53 min.

PORQUE temos esperança. 2014. Brasil. Direção de Susanna Lira. Documentário.

POSITIVAS. 2009. Brasil. Direção de Susanna Lira. Documentário. Dur. 78 min.

TORRE das donzelas. 2018. Brasil. Direção de Susanna Lira. Documentário. Dur. 97min.

Publicado
2020-07-30
Como Citar
VANDA LÚCIA PRAXEDES; HAYDENÉE GOMES SOARES MANSO. TORRE DAS DONZELAS: MEMÓRIAS DAS EXPERIÊNCIAS DE LIBERDADE E RESISTÊNCIA NO CÁRCERE. Revista Temas em Educação, v. 29, n. 2, 30 jul. 2020.
Seção
DOSSIÊ – EXPRESSÕES EDUCATIVAS E CULTURAIS NO ESPAÇO DE PRIVAÇÃO DE LIBERDADE