Combatendo as “plantas exóticas” da Nação:

a Lei dos Prefeitos de Pernambuco de 1836 e o ensaio das reformas regressistas no Império

Palavras-chave: Brasil Império, Regência, Cultura política

Resumo

Em 1836 a Regência passava por um momento de crise política com os desdobramentos das medidas liberais e descentralizadoras implementadas desde o 7 de abril de 1831. Começava a surgir um movimento de cisão entre os liberais moderados que até então controlavam o poder na corte e de contestação àquelas medidas. Era o início do Regresso. Na província de Pernambuco os regressistas foram representados pela oligarquia dos Cavalcanti em aliança com os restauradores locais do grupo do futuro regente Araújo Lima. Utilizando-se dos meios disponíveis de luta política pela imprensa e do controle da Assembleia Provincial, estes novos regressistas pernambucanos conseguiram aprovar uma lei provincial que anulou muitas das medidas descentralizadoras e deu nova roupagem centralizadora à estrutura judiciária e policial da província, antecipando as mudanças a nível nacional que só seriam tomadas com a Lei de Interpretação do Ato Adicional de 1840. Este artigo se propõe a analisar o processo como se deu esta vitória dos regressistas em Pernambuco e suas implicações para a luta política local.

Biografia do Autor

Manoel Nunes Cavalcanti Junior, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia (IFBA) - Campus Vitória da Conquista

Graduado em Licenciatura em História pela Universidade Federal de Pernambuco (1997), bacharel em História pela Universidade Federal de Pernambuco (1999), bacharel em Teologia pelo Seminário Teológico Batista do Norte do Brasil (1996), mestre em História pela Universidade Federal de Pernambuco (2001) e doutor pela mesma universidade (2015). Atualmente é professor titular do Instituto Federal da Bahia. Atua principalmente nos temas Brasil Império, ensino profissional, política no período regencial e revolução praieira.

Referências

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Publicado
2020-06-16
Como Citar
CAVALCANTI JUNIOR, M. N. Combatendo as “plantas exóticas” da Nação: . Sæculum – Revista de História, v. 25, n. 42, p. 09-24, 16 jun. 2020.
Seção
Artigos