Uma história a dois

combatiente cubana e o legado heroico de seu pai

Autores

  • CARLA CRISTINA NACKE CONRADI Unioeste

DOI:

https://doi.org/10.22478/ufpb.2317-6725.2025v30n52.71100

Palavras-chave:

Revolução Cubana. Narrativa. Memória traumática. Combatiente. Olga Angulo.

Resumo

Este artigo explora a experiência política de Olga Estela Angulo Alonso, a partir de sua narrativa autobiográfica, que está intrinsecamente atada à atuação do seu pai, Manuel Angulo Farrán, um dos mártires da Revolução Cubana. O fato de ter se inserido na luta clandestina ainda muito nova, pela posição paterna no Movimiento 26 de Julio, e ter participado de momentos históricos da clandestinidade em Holguín, na Cuba Oriental, foram estruturantes para sua constituição, no passado, como combatiente. Na entrevista, emerge a subjetividade de uma jovem mulher que carrega em si o dever para com o legado do pai e, ao mesmo tempo, lida com a memória traumática das torturas infligidas a ambos pela tirania do governo ditatorial de Fulgêncio Batista. Assim, as páginas que seguem narram e analisam os caminhos políticos e subjetivos construídos por uma sujeita política que, no presente de sua vida, dada sua condição de saúde, sua memória se esvai e a impede de narrar o que sempre a constituiu, ser, antes de combatiente, a Olguita de seu pai. História oral e memória traumática se entrelaçam a episódios cruciais da Revolução Cubana e são analisadas nas perspectivas de gênero e localização, que ajudam a traçar um paralelo entre as histórias do pai e da filha, ambos protagonistas das ações que consolidaram a Revolução.

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Referências

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Publicado

2025-10-06

Como Citar

CONRADI, CARLA CRISTINA NACKE. Uma história a dois: combatiente cubana e o legado heroico de seu pai. Sæculum - Revista de História, [S. l.], v. 30, n. 52, p. 08–26, 2025. DOI: 10.22478/ufpb.2317-6725.2025v30n52.71100. Disponível em: https://periodicos.ufpb.br/index.php/srh/article/view/71100. Acesso em: 16 jun. 2026.

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