Uma história a dois
combatiente cubana e o legado heroico de seu pai
DOI:
https://doi.org/10.22478/ufpb.2317-6725.2025v30n52.71100Palavras-chave:
Revolução Cubana. Narrativa. Memória traumática. Combatiente. Olga Angulo.Resumo
Este artigo explora a experiência política de Olga Estela Angulo Alonso, a partir de sua narrativa autobiográfica, que está intrinsecamente atada à atuação do seu pai, Manuel Angulo Farrán, um dos mártires da Revolução Cubana. O fato de ter se inserido na luta clandestina ainda muito nova, pela posição paterna no Movimiento 26 de Julio, e ter participado de momentos históricos da clandestinidade em Holguín, na Cuba Oriental, foram estruturantes para sua constituição, no passado, como combatiente. Na entrevista, emerge a subjetividade de uma jovem mulher que carrega em si o dever para com o legado do pai e, ao mesmo tempo, lida com a memória traumática das torturas infligidas a ambos pela tirania do governo ditatorial de Fulgêncio Batista. Assim, as páginas que seguem narram e analisam os caminhos políticos e subjetivos construídos por uma sujeita política que, no presente de sua vida, dada sua condição de saúde, sua memória se esvai e a impede de narrar o que sempre a constituiu, ser, antes de combatiente, a Olguita de seu pai. História oral e memória traumática se entrelaçam a episódios cruciais da Revolução Cubana e são analisadas nas perspectivas de gênero e localização, que ajudam a traçar um paralelo entre as histórias do pai e da filha, ambos protagonistas das ações que consolidaram a Revolução.
Downloads
Referências
ARFUCH, Leonor. Narrativas del yo y memorias traumáticas. Tempo e argumento. Florianópolis, v. 4, n. 1, p. 45-60, jan./jun. 2012.
ARFUCH, Leonor. Memoria y autobiografía. Exploraciones en los límites. Buenos Aires: Fondo de Cultura Económica, 2013.
BAYARD DE VOLO, Lorraine. Women and the Cuban Insurrection: How Gender shaped the Castro’s Victory. Cambridge: Cambridge University Press, 2018.
CHASE, Michelle. Revolution within the Revolution. Women and Gender Politics in Cuba, 1952-1962. The University of North Carolina Press, 2015.
CHICHARRO, Manuel Ramírez. Llamada a las armas en la Revolución Cubana, 1952-1959. Madrid: Ediciones Doce Calles, 2019.
CONRADI, Carla Cristina Nacke. “Memórias do sótão”: vozes de mulheres na militância política contra a ditadura no Paraná, 1964-1985. Tese (Doutorado em História). Curitiba: Universidade Federal do Paraná, 2015.
FERNANDES, Florestan. Da guerrilha ao socialismo: a Revolução Cubana. São Paulo: Expressão Popular, 2012.
FUCHS, Isabela Marques, GOMES, Gabriele Marchioro. Coragem, resistência e afetos nas ditaduras do Cone Sul. In: WOLFF, Cristina Scheibe (orgs.). Políticas da emoção e do gênero no Cone Sul. Curitiba: Brazil Publishing, 2021, p. 71-90.
GÁLVEZ, William Rodríguez. Salida 19. Operación Comando. La Habana: Editorial de Ciencias Sociales, 1981.
JOFFILY, Olívia R. O corpo como campo de batalha. In: PEDRO, Joana Maria; WOLFF, Cristina Scheibe (orgs.). Gênero, Feminismos e Ditaduras no Cone Sul. Florianópolis: Mulheres, 2010, p. 225-245.
LÓPES, Yusimí Rodríguez. La Revolución hizo a los negros personas. In: CASTILHO, Daisy Rubiera; TERRY, Inés María Martiatu (orgs.). Afrocubanas: historia, pensamiento y práticas culturales. La Havana: Editorial de Ciencias Sociales, 2011.
MINISTERIO DE JUSTICIA. La mujer en Cuba Socialista. La Havana: Editorial Orbe, 1977.
MONIZ, Luiz Alberto Bandeira. De Martí a Fidel: a Revolução Cubana e a América Latina. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2009.
PORTELLI, A. Tentando aprender um pouquinho: algumas reflexões sobre a ética na história oral. Projeto História. São Paulo, n. 15, p. 13-49,1997.
PORTELLI, Alessandro. História Oral como Arte da Escuta. São Paulo: Letra e Voz, 2016.
RANDALL, Margaret. La mujer cubana ahora. La Havana: Editorial de Ciencias Sociales, 1972.
RIVERA DE JESÚS, Noemí. La participación de las mujeres en la Revolución Cubana 1956 ̵ 1959. In: Anais do IX Congreso Virtual Sobre Historia de las Mujeres. España: Asociación de Amigos del Archivo Histórico Diocesano de Jaén, 2017, p. 01-15.
ROVAI, Marta Gouveia de Oliveira. Aprendendo a ouvir: a história oral testemunhal contra a indiferença. História Oral, vol. 16, n. 2, p. 129-148, 2013.
RUBIERA CASTILLO, Daisy, HEVIA LANIER, Oilda. Emergiendo del silencio: mujeres negras en la historia de Cuba. La Habana: Editorial de Ciencias Sociales, 2017.
SANTOS, Giselle Cristina dos Anjos. Identidade e Imaginário Social: mulheres negras em Cuba após 50 anos de Revolução. In: Anais XI Congresso Luso Afrobrasileiro de Ciências Sociais. Bahia: UFBA, 2011.
SAPRIZA, Graciela. Memoria y memorias de mujeres en el relato de la dictadura (Uruguay, 1973-1985). In: PEDRO, Joana Maria; WOLFF, Cristina Scheibe (orgs.). Gênero, Feminismos e Ditaduras no Cone Sul. Florianópolis: Mulheres, 2010, p. 94-14.
SCHWARZSTEIN, Dora. Historia oral, memoria e historias traumáticas. In: História Oral, n. 4, p. 73-83, 2001.
SEPTIEN, Rosa Campoalegre. Mujeres negras. Voces, silencios y resistencias: una vez más sobre la experiencia cubana. Revista da ABPN, vol. 10, n. 26, p. 57-76, 2018.
TELES, Amelinha A. Violações dos direitos humanos das mulheres na ditadura. Revista Estudos Feministas, Florianópolis, vol. 23, n. 3, p. 1001-1022, 2015.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2025 CARLA CRISTINA NACKE CONRADI

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.
A revista Sæculum permite aos autores a manutenção dos direitos autorais pelo seu trabalho, no entanto eles devem repassar direitos de primeira publicação ao periódico.





