“A VIDA É UMA DOENÇA INCURÁVEL” - CURA E CUIDADO NA TRADIÇÃO DE TERREIROS AFRO-BRASILEIROS NO RIO DE JANEIRO: CONTRIBUIÇÕES PARA ATENÇÃO INTEGRAL À SAÚDE

HEALING AND CARE IN AFRO-BRAZILIAN TRADITION IN RIO DE JANEIRO: CONTRIBUTION TO COMPREHENSIVE HEALTH CARE

Autores

  • Márcio Luiz Braga Corrêa de Mello Instituto Oswaldo Cruz - Fundação Oswaldo Cruz
  • Simone Santos Oliveira Escola Nacional de Saúde Pública - Fundação Oswaldo Cruz

DOI:

https://doi.org/10.22478/ufpb.2359-7003.2019v28n1.42072

Palavras-chave:

Atenção à saúde, Integralidade, Religião, Umbanda e Candomblé

Resumo

Este trabalho teve como objetivo dar visibilidade à compreensão da saúde, doença e práticas de cura inscritas no campo afro-religioso e sua relação com a biomedicina. A partir de um estudo etnográfico e de histórias de vida, identificou-se os conceitos de saúde/doença e práticas terapêuticas de terreiros do Rio de Janeiro.A religião atua como suporte para enfrentamento de dificuldades do cotidiano, mobilizando recursos individuais e coletivos para expressão das emoções, modificando o entendimento das experiências. Reconhecer o caráter misterioso da vida pode assegurar novas possibilidades, pois práticas não-convencionais podem ser complementares à biomedicina e contribuir para o enfrentamento dos desafios a uma atenção à saúde na perspectiva de sua integralidade. Apontamos para a importância de que sejam consideradas as práticas terapêuticas afro-brasileiras como tema de discussão na agenda das políticas públicas.

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Publicado

2019-04-18

Como Citar

MELLO, M. L. B. C. de; OLIVEIRA, S. S. “A VIDA É UMA DOENÇA INCURÁVEL” - CURA E CUIDADO NA TRADIÇÃO DE TERREIROS AFRO-BRASILEIROS NO RIO DE JANEIRO: CONTRIBUIÇÕES PARA ATENÇÃO INTEGRAL À SAÚDE: HEALING AND CARE IN AFRO-BRAZILIAN TRADITION IN RIO DE JANEIRO: CONTRIBUTION TO COMPREHENSIVE HEALTH CARE. Revista Temas em Educação, [S. l.], v. 28, n. 1, p. 171–193, 2019. DOI: 10.22478/ufpb.2359-7003.2019v28n1.42072. Disponível em: https://periodicos.ufpb.br/ojs2/index.php/rteo/article/view/42072. Acesso em: 17 jan. 2022.

Edição

Seção

DOSSIÊ - EDUCAÇÃO POPULAR EM SAÚDE