Ecofeminismo afromoçambicano como atitude epistemológica: corpo, terra e implicação nas poéticas moçambicanas
DOI:
https://doi.org/10.22478/ufpb.1887-8214.2026v41n1.78645Palabras clave:
Deusa d’África., Ecofeminismo afromoçambicano, Noémia de Sousa, Paulina Chiziane, Sónia SultuaneResumen
O ecofeminismo, como campo de reflexão, demanda leituras situadas que considerem as especificidades históricas, culturais e epistemológicas dos contextos em que é mobilizado. Nesse sentido, este artigo propõe a noção de ecofeminismo afromoçambicano como uma atitude epistemológica, a partir da análise das poéticas de Noémia de Sousa, Paulina Chiziane, Deusa d’África e Sónia Sultuane. O objetivo é compreender como, nesses textos, as relações entre humano, natureza mais-que-humana, ancestralidade e espiritualidade se configuram como modos de produção de conhecimento, e não apenas como temas. A metodologia é qualitativa, de natureza interpretativa, baseada na leitura crítica dos poemas “A mulher que ria à vida e à morte”, “Sorte e azar”, “Quando o Céu Abrir” e “Sou os olhos do Universo”, em diálogo com aportes do ecofeminismo, da decolonialidade e das epistemologias do Sul. Os resultados indicam que, em Noémia de Sousa, configura-se uma ontologia da continuidade; em Paulina Chiziane, evidencia-se a tensão produzida pela colonialidade do saber; em Deusa d’África, observa-se a radicalização dessa ruptura em escala cósmica; e, em Sónia Sultuane, uma inflexão ontológica que reconfigura o sujeito como cosmos. Conclui-se que o ecofeminismo afromoçambicano constitui uma epistemologia da implicação, afirmando modos de conhecer, sentir e existir que se estruturam a partir da continuidade e da relação, e não da separação entre os seres.

