Semear mundos possíveis além do capitalismo: mulheres e novos agenciamentos na ficção científica
DOI :
https://doi.org/10.22478/ufpb.1887-8214.2026v41n1.78798Mots-clés :
Ecofeminismo, Ficção Científica, Policrise, Capitalismo, Literatura MenorRésumé
Vivemos uma policrise (Fernandes, 2025) do sistema terrestre: mudanças climáticas, neofascismo, colonialismo imperialista, fome, guerras, esgotamento, genocídios, a falácia do desenvolvimento sustentável, feminicídio, nova caça às Bruxas e suas inúmeras consequências diretas e indiretas. Essas instabilidades possuem uma causa comum: a exploração e a violência predatória do sistema capitalista, que exige a degradação da natureza e da vida humana e reconstitui divisões baseadas em gênero, raça e idade. Pensar alternativas para essas crises nos leva à proposição do Ecofeminismo, que reitera a importância da luta das mulheres e a defesa da natureza como essenciais para a superação deste sistema, reconhecendo-os como parte da mesma exploração opressiva do capitalismo. O objetivo deste artigo é compreender como o ecofeminismo literário da ficção científica escrita por mulheres nos ajuda a pensar outras formas de agenciamento para além do capitalismo, a partir da análise das obras Floresta é o Nome do Mundo (1972) de Ursula K Le Guin, e O Ano do Dilúvio (2009), de Margaret Atwood. Nossa proposta está relacionada a uma abordagem que considera essas obras, escritas por mulheres e que tomam personagens femininas e ligadas à terra como foco principal para construir uma outra forma de continuidade além do capitalismo, como uma literatura menor. Deste modo, propomos uma pesquisa bibliográfica que articula a análise dessa literatura menor a partir da proposta conceitual rizomática de Deleuze e Guattari, em diálogo com os conceitos de Donna Haraway (2016) e Ursula Le Guin (1986), ao discutir a terraformação do mundo através da contação de outras histórias e das relações com o meio.

