Gramática da intimidade brasileira:

Violência colonial, mestiçagem e autoridade háptica em Darcy Ribeiro

Autores

  • Pollyane Silva Belo UERJ

DOI:

https://doi.org/10.22478/ufpb.2763-9398.2026v25n.76671

Palavras-chave:

Violência Sexual Colonial, Mestiçagem, Pensamento Social Brasileiro, gramática da intimidade brasileira, Soberania Tátil

Resumo

Este artigo investiga como o relato da intimidade nacional no pensamento social brasileiro foi estruturado por uma gramática háptica-sônica oriunda da colonização, na qual o toque masculino branco instrumentaliza o corpo de mulheres negras e indígenas para acumular poder, sensibilidade e identidade. A partir das obras O povo brasileiro ([1995] 2012) e Mestiço que é Bom! (1997), de Darcy Ribeiro, articuladas com Gilberto Freyre ([1933] 2003), analiso como a mestiçagem é narrada não como violência, mas como gesto civilizatório, afetivo e fundador do povo brasileiro. Argumenta-se que relatos de desejo e acesso sexual a mulheres não-brancas, frequentemente narrados com humor e condescendência, são atualizações de uma soberania tátil que as coopta como superfície sensível, propriedade e vetor afetivo para reiterar a autodeterminação e especificidade do homem branco como sujeito nacional. 

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Biografia do Autor

Pollyane Silva Belo, UERJ

Doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).Fundadora e coordenadora do Grupo de Estudos sobre a Mestiçagem (GESAM).

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Publicado

2026-04-09