Excesso, coprofagia e podolatria na lírica de Glauco Mattoso
DOI:
https://doi.org/10.22478/ufpb.1516-1536.2022v24n3.63515Palavras-chave:
Poesia brasileira, Glauco Mattoso, Excesso, Coprofagia, PodolatriaResumo
Este artigo aborda o projeto literário da “poesia coprofágica”, de Glauco Mattoso, cuja obra tem a homossexualidade, a podolatria e o sadomasoquismo como temáticas constantes. Sua poesia nos permite empreender uma discussão sobre o conservadorismo, as contradições, o apagamento e a violência praticados pelo projeto burguês de dominação dos corpos e desejos humanos distintos da visão heterossexual, a qual, historicamente, constitui-se, por natureza, como manejo operacional da estrutura capitalista. O poeta contemporâneo Glauco Mattoso desloca nosso olhar para as obscuridades e lacunas que operam no jogo existencial de sujeitos marginalizados. Desse modo, buscamos avaliar como a linguagem literária do poeta se arranja para enunciar um discurso engajado poeticamente. Partimos do entrecruzamento entre a persona lírica e a empírica de Mattoso para desenvolvermos a argumentação de uma poética do excesso, apoiada, principalmente, na leitura estruturalista de Severo Sarduy (1979), no ensaio “Por uma ética do desperdício”. Os deslocamentos significantes, a circularidade e o excesso paródicos foram os recursos expressivos predominantes de nossa proposta de investigação. A condução heteronormativa dada à vida social e cultural atesta que a poesia de Glauco Mattoso é um dispositivo literário que promove uma desestabilização das estruturas socioculturais, ao selecionar para sua performance o que é considerado abjeto.
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