BERNARD WILLIAMS E A SORTE MORAL

Autores

  • Cristiano Bonneau UFPB

DOI:

https://doi.org/10.7443/problemata.v17i3.79306

Palavras-chave:

Sorte moral, contingência, lamento do agente, Bernard Williams, ética

Resumo

O texto trata do conceito de sorte moral elaborado por Bernard Williams, contrapondo-o à tradição filosófica que busca afastar a contingência para garantir o controle do sujeito sobre seu próprio destino. Exemplos como Édipo Rei e Maquiavel ilustram o peso da fortuna, enquanto Kant tentou extirpar o acaso para fundamentar uma razão prática racional, portanto, universal. Williams critica a ilusão de imunidade moral à sorte, argumentando que as disposições morais e os motivos das ações são condicionados por fatores imprevistos e fora do controle do agente. Ele introduz a noção de "lamento" como uma avaliação retrospectiva em primeira pessoa que constata o êxito ou o fracasso de uma escolha após a consolidação dos fatos. Através do "paradigma do artista" com Gauguin, o autor discute as dimensões da sorte intrínseca e extrínseca na busca por justificação dos atos morais. Assim, o pensamento de Williams expõe a precariedade e os limites da racionalidade humana diante de um mundo imprevisível. Por fim, evidencia-se a grande distância existente entre o fato e o valor e entre o agente e o valor universal. Essa perspectiva em Williams adota um caminho não-objetivista que reconhece a uma visão radical da contingência que se faz presente e opera na ética. Desse modo, a ética deixa de ser um terreno de mera antecipação da ação para se tornar um saber que assume a fragilidade das avaliações humanas.

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Biografia do Autor

Cristiano Bonneau, UFPB

Doutor em Filosofia (USP). Professor do Departamento de Filosofia (UFPB)/Programa de Pós-Graduação em Filosofia (PPGF/UFPB).

Referências

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Publicado

30-09-2026

Como Citar

Bonneau, C. (2026). BERNARD WILLIAMS E A SORTE MORAL. Problemata - Revista Internacional De Filosofia, 17(3), 60–67. https://doi.org/10.7443/problemata.v17i3.79306

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