A POTÊNCIA DA IMAGINAÇÃO NA FILOSOFIA DE SPINOZA:
DO ERRO À LIBERTAÇÃO HUMANA
DOI:
https://doi.org/10.7443/problemata.v17i3.80148Palavras-chave:
Spinoza, Imaginação, Potência, Afetos, LiberdadeResumo
O artigo apresenta uma interpretação da imaginação em Spinoza que problematiza a leitura tradicional da imaginação como mera fonte de erros, confusão e servidão. Reconhece-se que tal perspectiva fundamenta-se no Tratado da Emenda do Intelecto (TIE) e na Ética, nos quais o primeiro gênero de conhecimento é visto como percepção vaga, inadequada e marcada por causas externas. Contudo, a investigação demonstra que as imagens, em si mesmas, não contêm falsidade; o erro decorre apenas da privação do conhecimento adequado. Ao associar a imaginação ao conatus e aos afetos nas partes III e V da Ética, evidencia-se sua potência. Quando a mente ganha consciência do ato de imaginar e utiliza preceitos racionais para reorganizar afecções e memórias, a imaginação deixa de ser um freio e passa a colaborar no processo de libertação humana. A imaginação não é eliminada pela razão, mas por ela reconfigurada, constituindo um instrumento prático e fundamental para o aumento da potência de agir e a conquista da liberdade.
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