Relações no eito:

livres e cativos no oeste de Minas Gerais, século XIX.

Autores

DOI:

https://doi.org/10.22478/ufpb.2317-6725.2025v30n53.74566

Palavras-chave:

Uberaba, Século XIX, Escravidão, Processos-crime

Resumo

A região oeste de Minas Gerais tornou-se uma importante produtora de gêneros agropecuários que abastecia o mercado das províncias limítrofes de São Paulo, Goiás e Mato Grosso. Algumas mercadorias chegavam até a capital do império através dos tropeiros que cruzavam o sertão da Farinha Podre ao longo do século XIX. O padrão de posse de escravos na região se caracterizava pelo pequeno proprietário que possuía entre um e três trabalhadores escravizados, ao lado do trabalhador livre no eito. As atividades realizadas lado a lado por escravos, forros, agregados, jornaleiros, condutores de tropa, senhores e seus familiares eram de caráter doméstico, agrário, pecuário, comercial e artesanal, especializados ou não. Tal proximidade proporcionou a construção de laços de solidariedades, mas também de conflitos registrados nos documentos judiciários. Em pequenas e médias posses, a organização e as relações de trabalho se constituíam de maneira diferenciada das grandes lavouras existentes em outras áreas da província mineira. O artigo apresenta uma análise das relações de trabalho a partir do conceito thompsoniano de agência utilizando para isso três processos criminais. Dois deles tiveram como cenário a propriedade do Comendador Antonio Eloy Cassemiro de Araújo, futuro Barão da Ponte Alta. O ponto de partida são dois crimes envolvendo trabalhadores livres e escravizados. Utilizaram-se os processos criminais como principais fontes, além de inventários post mortem, ofícios da Câmara Municipal e o periódico Gazeta de Uberaba como fontes secundárias.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

AMANTINO, Marcia. O mundo das feras: os moradores do Sertão Oeste de Minas. Século XVIII. São Paulo: Annablume, 2008.

CAMPOS, Adriana P. Escravidão, reprodução endógena e crioulização: o caso do Espírito Santo no Oitocentos. Topoi, Rio de Janeiro, vol. 12, n. 23, p. 84-96, jul./dez. 2011.

CARDOSO, Fernando Henrique. Capitalismo e escravidão no Brasil meridional: o negro na sociedade escravocrata do Rio Grande do Sul. 6. ed. rev. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2011.

CENTRO DE PLANEJAMENTO E DESENVOLVIMENTO REGIONAL UFMG (CEDEPLAR). Recenseamento do Brasil em 1872. Minas Gerais. Disponível em: https://cedeplar.ufmg.br/publicacoes/. Acesso em: 3 jun. 2025.

CHALHOUB, Sidney. Visões da liberdade: uma história das últimas décadas da escravidão na Corte. São Paulo: Companhia das Letras, 1990.

CHALHOUB, Sidney. A força da escravidão: ilegalidade e costume no Brasil oitocentista. São Paulo: Companhia das Letras, 2012.

FARIA, Sheila de Castro. A colônia em movimento. Fortuna e Família no cotidiano colonial. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1998.

FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Aurélio Século XXI: o dicionário da língua portuguesa. 3. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999.

FREIRE, Jonis. Escravidão e Família Escrava na Zona da Mata Mineira oitocentista. São Paulo: Alameda, 2014.

FREYRE, Gilberto. Casa-grande & senzala: formação da família brasileira sob o regime da economia patriarcal. 51. ed. rev. São Paulo: Global, 2006.

GOMES, Flávio dos Santos. História de Quilombolas: mocambos e comunidades de senzalas no Rio de Janeiro, século XIX. ed. rev. e aum. São Paulo: Cia das Letras, 2006.

KARASCH, Mary C. A Vida dos Escravos no Rio de Janeiro (1808–1850). São Paulo: Companhia das Letras, 2000.

LARA, Silvia. Campos da violência: escravos e senhores na Capitania do Rio de Janeiro, 1750-1808. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1988.

LARA, Silvia. Escravidão, Cidadania e História do Trabalho no Brasil. Projeto História, São Paulo, v.16, p. 25-38, fev. 1998.

LIBBY, Douglas C. Transformação e Trabalho em uma economia escravista: Minas Gerais no século XIX. São Paulo: Brasiliense, 1988.

LOURENÇO, Luís A. B. A oeste das minas: escravos, índios e homens livres numa fronteira oitocentista, Triângulo Mineiro (1750–1861). Uberlândia: EDUFU, 2005.

LOURENÇO, Luís A. B. O Triângulo Mineiro, do Império à República: o extremo oeste de Minas Gerais na transição para a ordem capitalista (segunda metade do século XIX). Uberlândia: EDUFU, 2010.

LOURENÇO, Luís A. B. Populações indígenas e políticas indigenistas no Triângulo Mineiro nos séculos XVIII e XIX. In: FERREIRA FILHO, Aurelino José (org.). Índios do Triângulo Mineiro: História, Arqueologia, fontes e patrimônios, pesquisas e perspectivas. Uberlândia: EDUFU, 2015. p.25-56.

MACHADO, Maria Helena P. T. Crime e Escravidão: trabalho, luta e resistência nas lavouras paulistas (1830-1888). 2ª ed. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2018.

MAMIGONIAN, Beatriz G. Africanos Livres. A abolição do tráfico de escravos no Brasil. São Paulo: Cia das Letras, 2017.

MARTINS, Roberto B. Que nem rabo de cavalo: o crescimento natural da população escrava de Minas Gerais. Belo Horizonte: ICAM / ABPHE, 2022.

MATTOS, Hebe. Das cores do silêncio: os significados da liberdade no Sudeste escravista (Brasil, século XIX). 3 ed. rev. Campinas, SP: Editora Unicamp, 2013.

PAIVA, Clotilde A. & LIBBY, Douglas C. Caminhos alternativos: escravidão e reprodução em Minas Gerais no século XIX. Estudos Econômicos, São Paulo: IPE/USP, v. 25, n. 2, p. 203-223, mai./ago. 1995.

PAIVA, Clotilde A. População e economia nas Minas Gerais do século XIX. 1996. Tese (Doutorado em História) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 1996.

PAIVA, Clotilde et al. Publicação Crítica do Recenseamento Geral do Império do Brasil de 1872. Belo Horizonte: UFMG /CEDEPLAR, 2012.

PAIVA, Eduardo França. Escravos e libertos nas Minas Gerais do século XVIII: estratégias de resistência através dos testamentos. 2. ed. São Paulo: Annablume, 2000.

PIROLA, Ricardo. Senzala insurgente: malungos, parentes e rebeldes nas fazendas de Campinas (1832). Campinas, SP: Editora da Unicamp, 2011.

POPINIGIS, Fabiane. TERRA, Paulo. Classe, Raça e a História Social do Trabalho no Brasil (2001-2016). Estudos Históricos. Rio de Janeiro, v. 32, n. 66, p. 307–328, 2019.

RIBEIRO, João Luiz. No meio das galinhas as baratas não têm razão: a Lei de 10 de junho de 1835. Os escravos e a pena de morte no império do Brasil, 1822–1889. Rio de Janeiro: Renovar, 2005.

REIS, João José. Ganhadores: a greve negra de 1857 na Bahia. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.

SAINT-HILAIRE, Auguste de. Viagem pelas províncias do Rio de Janeiro e Minas Gerais. Belo Horizonte: Itatiaia, 1975.

SANTOS, Túlio Andrade dos. Famílias cativas no Triângulo Mineiro (1835–1875): fontes, documentação e perspectivas de pesquisas. Monografia (Graduação em História) – Universidade Federal de Uberlândia, Ituiutaba-MG, 2011.

SLENES, Robert W. Na senzala, uma flor: esperanças e recordações na formação da família escrava: Brasil Sudeste, século XIX. 2. ed. rev. Campinas/SP: Editora da Unicamp, 2011.

SOUZA, Laura de Mello e. Desclassificados do ouro: a pobreza mineira no século XVIII. 4. ed. rev. e aum. Rio de Janeiro: Graal, 2004.

THOMPSON, Edward Palmer. A formação da classe operária inglesa. A árvore da liberdade. São Paulo: Paz & Terra, 1987. 1 v.

THOMPSON, Edward Palmer. La sociedade inglesa del siglo XVIII: lucha de clases sin clases? In: THOMPSON, Edward Palmer. Tradición, revuelta y consciência de clase. Estudios sobre la crisis de la sociedade pré-industrial. Barcelona: Editorial Crítica, 1979. p. 13-61.

TIZOCO, Ulisses H. Pessoas Negociando Pessoas: o mercado de escravos de Bonfim do Paraopeba (MG) e suas conexões (1842-1888). Dissertação (Mestrado em História) – Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2018.

TIZOCO, Ulisses H. Minas são muitas: características do tráfico interno em duas regiões mineiras nas décadas finais da escravidão (1861–1888). In: Anais do 11º Encontro Escravidão e Liberdade no Brasil Meridional, Pelotas, 2023.

TOMICH, Dale. A escravidão no capitalismo histórico: rumo a uma história teórica da segunda escravidão. In: MARQUESE, Rafael; SALLES, Ricardo (org.). Escravidão e capitalismo histórico no século XIX: Cuba, Brasil e Estados Unidos. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2016. p.55-98.

VAINFAS, Ronaldo (Dir.) Dicionário do Brasil Imperial: 1822–1889. Rio de Janeiro: Objetiva, 2008.

Downloads

Publicado

2026-04-06

Como Citar

MOREIRA DE ARAUJO, Carlos Eduardo. Relações no eito:: livres e cativos no oeste de Minas Gerais, século XIX. Sæculum - Revista de História, [S. l.], v. 30, n. 53, p. 71–91, 2026. DOI: 10.22478/ufpb.2317-6725.2025v30n53.74566. Disponível em: https://periodicos.ufpb.br/index.php/srh/article/view/74566. Acesso em: 11 jun. 2026.

Artigos Semelhantes

<< < 66 67 68 69 70 71 72 73 74 75 > >> 

Você também pode iniciar uma pesquisa avançada por similaridade para este artigo.