No Império da Prudência:
conselho e aconselhamento em Portugal na Monarquia Hispânica (1580-1640)
DOI:
https://doi.org/10.22478/ufpb.2317-6725.2025v30n53.76751Palavras-chave:
Conselho, Prudência, Monarquia Hispânica, Pensamento político, Portugal na Época ModernaResumo
O artigo analisa as formas pelas quais a prática do conselho e a virtude da prudência estruturaram a cultura política portuguesa durante o período em que o reino integrou a Monarquia Hispânica (1580-1640). A partir do estudo de tratados, crônicas, alvitres e escritos de caráter político e moral, entre outros, o presente trabalho demonstra que o ato de aconselhar – tanto no interior das instituições quanto por meio da produção escrita – constituiu um elemento central do pensamento e da comunicação política do período, sendo também fundamental na definição das relações de poder e na construção da legitimidade régia. O texto parte da constatação de que a integração de Portugal à Monarquia Hispânica implicou a criação de novos órgãos consultivos, como o Conselho de Portugal, que reforçaram o modelo polissinodal de governo característico do império espanhol. Ao mesmo tempo, a circulação de textos voltados ao aconselhamento político revela a persistência de uma ética fundada na prudência e no uso prático da história, em que ambos orientavam o ideal do bom conselheiro e do príncipe prudente, constituindo conjuntamente elementos de uma espécie de “cultura do aconselhamento” na Época Moderna.
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