Em busca da revolta perdida
Camus e Benjamin entre a medida e ruptura
Palavras-chave:
Benjamin; Camus; Revolta; Ética; Memória; Revolução.Resumo
Este artigo investiga como a revolta — gesto ético e existencial de afirmação da dignidade humana — pode se degradar em revolução dogmática e violenta. A partir de uma leitura entre Albert Camus e Walter Benjamin, examina-se como a “hybris” própria da revolta, concebida como transgressão lúcida e medida, pode ser desviada para dois pólos: a cólera cega (ménis) ou a razão desumanizada (logismós). Camus distingue revolta e revolução ao alertar para o perigo de que a busca por justiça destrua o próprio princípio ético que a funda. Benjamin, crítico do progresso histórico contínuo, introduz o conceito de Jetztzeit (tempo-de-agora), em que a memória dos vencidos irrompe como exigência moral. Articulando essas perspectivas com a literatura de Dostoiévski e com a série Pátria, o artigo indaga a possibilidade de uma revolução que preserve o “traço fino” da revolta: uma ética da memória, do limite e da responsabilidade diante do outro.
Palavras-chave: Benjamin; Camus; Revolta; Ética; Memória; Revolução.
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