Todo mundo odeia o currículo
Palavras-chave:
Estudos Culturais, currículo, relações de poder, exclusão, teoria pós-críticaResumo
O presente artigo problematiza o currículo escolar não como um artefato técnico-pedagógico neutro, mas como um campo de disputa cultural e política. Utilizando a metáfora da série Todo Mundo Odeia o Chris para ilustrar a exclusão vivenciada, o objetivo é analisar como o currículo hegemônico, ao deslegitimar o capital cultural e o habitus de sujeitos marginalizados, opera um processo de apagamento identitário na escola. A análise é conduzida sob a perspectiva da Teoria Pós-Crítica e dos Estudos Culturais, que concebem o currículo como um texto cultural forjado em relações de poder. Este referencial permite investigar as tensões e os silenciamentos implícitos no discurso curricular, tanto no plano prescrito quanto no currículo em ação. Demonstra-se que o currículo, ao funcionar como um "espelho seletivo", prioriza saberes da cultura dominante, mantendo intactas as estruturas de desigualdade. Identifica-se o "currículo turístico" como uma tática de superficialização e estereotipagem da diversidade, na qual as culturas negadas são abordadas de forma isolada, impedindo o questionamento da ordem estabelecida. Conclui-se que o "ódio" ao currículo é um ato político e de resistência à sua falsa neutralidade. O artigo defende a urgência de (re)inventar o currículo como um espaço-tempo de fronteira e desobediência, capaz de celebrar a pluralidade, validar os saberes periféricos e confrontar a colonialidade do saber.
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