LITERATURA JUVENIL ENTRE O IMPRESSO E O DIGITAL
A METÁFORA MIDIÁTICA EM TODOS CONTRA DANTE
DOI:
https://doi.org/10.22478/ufpb.1516-1536.2024v26n3.71008Palavras-chave:
Literatura juvenil, Mídias digitais, Textualidade eletrônica, Leitura, Cultura digitalResumo
Na era digital em que vivemos, os textos literários se tornaram atravessados por uma série de mídias e objetos técnicos que lhe dão uma nova feição e discurso. De modo que a literatura situa-se num contexto de narrativas transmídias, intermidiáticas e multicursivas, ocasionado pelo contato e atravessamento com novas tecnologias digitais. Além de modificar a maneira como leitores lidam com narrativas escritas, o cibertexto influenciou imensamente a mídia impressa e pôs à disposição dos escritores novas ferramentas de criação ao mesmo tempo que herdou práticas de leitura cultivadas nos mais de cinco séculos de tradição impressa. Nesse contexto, como a literatura juvenil integra elementos da literatura eletrônica em um texto para jovens? Com essa pergunta, o presente artigo analisa o romance Todos Contra Dante, do escritor brasileiro Luís Dill, como textualidade ergódica, emulando no seu projeto gráfico e imagético a mídia técnica computadorizada e a linguagem de formatação protocolada do HTML (HyperText Markup Language). Metodologicamente, aferimos no corpus o uso de elementos que buscam representar as mídias digitais da Web, além das escolhas gráficas de formatação e uso de tipos na composição de capítulos do texto. A consolidação de uma metáfora midiática entre a materialidade impressa e a digital como articulação do tema do cyberbullying foi a nossa hipótese de leitura. Ao fim, concluímos que a materialidade estudada emula a hipertextualidade verbalmente, dispondo uma poética que evoca mecanismos da cultura digital, e visualmente, criando uma metáfora entre o livro e o computador.
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