POR QUE CONFIAR NA CIÊNCIA?

UMA ANÁLISE ONTOEPISTEMOLÓGICA

Autores

DOI:

https://doi.org/10.7443/problemata.v17i1.76367

Palavras-chave:

Filosofia das Ciências, Complexidade, Ética, Confiança Pública] na Ciência, Pragmática

Resumo

Este estudo investiga por que podemos confiar na ciência, considerando sua natureza provisória e sujeita a revisões conceituais. A pesquisa adota a perspectiva pragmática do segundo Wittgenstein e se fundamenta em uma abordagem holística, introduzindo o Argumento Holístico do Milagre, desenvolvido pelos autores, para analisar a confiabilidade científica. A questão central é: como justificar a confiança nas teorias científicas diante da Primeira Tese da Subdeterminação? O objetivo é articular rigor metodológico, valores cognitivos e implicações sociais das ciências, propondo um modelo ético normo-utilitarista. Metodologicamente, o estudo recorre à análise conceitual e ao raciocínio formal baseado na Teoria da Complexidade de Kolmogorov, que distingue sequências altamente compressíveis e estruturadas (teorias consistentes) de sequências aleatórias. Classes conceituais inovadoras organizam teorias e padrões naturais, formalizando a improbabilidade de surgimento acidental de teorias coerentes. O estudo evidencia que a ciência, embora não neutra, combina rigor, valores cognitivos e participação social, sustentando a confiança epistêmica. Entre as limitações estão a abstração conceitual das classes e a generalização dos modelos éticos. Pesquisas futuras podem aplicar empiricamente o Argumento Holístico do Milagre, investigar sua extensão a diferentes formas de vida científica, contextos culturais e políticas científicas, avaliando impactos sociais e institucionais.

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Biografia do Autor

Wellington Pereira de Queirós

Doutor em Educação para a Ciência (Área de Concentração: Ensino de Ciências e Matemática) pela Universidade Estadual Paulista (UNESP-Bauru) com estágio Sanduíche no Programa de Pós Graduação em Educação Científica e Tecnológica da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Mestre em Física na linha de biofísica pela Universidade Federal de Goiás (2005), graduação em Bacharelado em Física pela Universidade Federal de Goiás (2002), graduação em Licenciatura em Física pela Universidade Federal de Goiás (2005), Possui também licenciatura em Pedagogia e Matemática. Atua como professor Associado I do Instituto de Física da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul(UFMS). Além disso, atua como docente e orientador no Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências da UFMS e como professor colaborador no Programa de Pós-Graduação em Educação em Ciências e Matemática da Universidade Federal de Goiás (UFG). Suas principais linhas de pesquisa são: Formação de Professores de Ciências, Física e Matemática; História, Filosofia e Sociologia da Ciência na Educação em Ciências e Tecnologia; Relações Ciência, Tecnologia, Sociedade e Ambiente (CTSA) na Educação em Ciências e Tecnologia. Seus principais referenciais teóricos de atuação são: Henry Giroux, Paulo Freire, Ludwik Fleck e referenciais da Escola de Frankfurt, como Adorno e Habermas e mais recentemente tem se dedicado aos estudos decoloniais. Trabalhou na educação básica como professor de Física, Matemática, Ciências e Filosofia e na Educação a Distância (EAD). Criou e Coordenou coletivamente a primeira edição do Congresso Nacional de Ensino de Ciências e Educação Ambiental e Saúde (I CONECEAS). Foi um dos co-criadores do Mestrado Profissional em Ensino de Ciências da Universidade Estadual de Goiás. Foi representante da região Centro Oeste na Associação Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências (ABRAPEC) nos biênios 2018-2019 e 2020-2021. Atualmente é gestor do convênio internacional entre a UFMS e a Universidade Pedagógica Nacional da Colômbia (UPN) em projetos de Educação, Ensino de Ciências e Matemática, Educação Ambiental. 

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Publicado

31-05-2026

Como Citar

Nunes, C. de L. C., & Queirós, W. P. de. (2026). POR QUE CONFIAR NA CIÊNCIA? UMA ANÁLISE ONTOEPISTEMOLÓGICA . Problemata - Revista Internacional De Filosofia, 17(1), 252–272. https://doi.org/10.7443/problemata.v17i1.76367

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