PARA ALÉM DO CÂNONE:

FILOSOFIA, PLURALIDADE E DESCOLONIZAÇÃO DO PENSAR

Autores

  • Josineide Gomes do Nascimento Barbalho UFCG
  • Valmir Pereira UFCG

DOI:

https://doi.org/10.7443/problemata.v17i2.78111

Palavras-chave:

Filosofia, Colonialidade, Racismo Filosófico, Decolonialidade

Resumo

O artigo problematiza a centralidade histórica do cânone filosófico europeu na formação acadêmica, evidenciando que ele foi apresentado como expressão universal da razão, enquanto outras tradições foram marginalizadas. Argumenta-se que essa construção não foi neutra, mas articulada aos processos de colonialismo, racismo e hierarquização epistemológica, que definiram quem poderia ser reconhecido como sujeito do conhecimento. A exclusão de filosofias africanas, asiáticas, indígenas e afrodiaspóricas resultou na consolidação de uma narrativa linear e eurocêntrica da história da filosofia. Dialogando com autores como Mogobe Bernard Ramose e Peter K. J. Park, o texto demonstra que a ideia de universalidade filosófica foi construída a partir da imposição de uma perspectiva particular como norma global. Defende-se, assim, uma filosofia antirracista e descolonizada, que vá além da simples inclusão de novos autores, e revise os próprios critérios que definem o que é filosofia. A pluralidade epistemológica é apresentada como condição para a vitalidade do pensamento filosófico. Conclui-se que descolonizar a filosofia significa abrir espaço ao diálogo intercultural, reconhecer a dignidade de múltiplas racionalidades e reafirmar o caráter crítico, emancipador e democrático do filosofar.

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Biografia do Autor

Valmir Pereira, UFCG

Possui graduação em Filosofia (1988) e em História (1990) pelas Faculdades Associadas Ipiranga – São Paulo - SP, Mestrado (2007) e Doutorado (2011) em Educação Escolar pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP/Araraquara-SP). Atualmente é Prof. Associado C, T- 40 DE da Universidade Estadual da Paraíba. É Líder do Núcleo de Pesquisa em Filosofia UEPB/CNPq e membro do Travessias-Grupo de Pesquisa em Filosofia e Educação Antirracista - UFPB). Tem experiência na área de Educação e Filosofia, com ênfase em Filosofia da Educação, Filosofias Africanas, Decolonialidades, Políticas Educacionais, Ensino de Filosofia, Educação e Marxismo. Professor Permanente dos Mestrados Profissionais, em Filosofia (PROF-FILO/UFCG) e Formação de Professores (PPGFP/UEPB). 

Referências

PARK, Peter K. J. África, Ásia e a história da filosofia: o racismo na formação do cânone filosófico, 1780-1830 / Peter K. J. Park. p. cm. - (Série SUNY, Filosofia e Raça). ISBN 978-1 4384-4641-7 (disponível em https://pt.scribd.com/document/736760739/1-Africa-Asia-e-a-Historia-Da-Filosofia-Racismo-Na-Formacao-Do-Canone-Filosofico-1780-1830-Peter-K-J) Acesso em 13/12/2025.

RAMOSE, M. B. Sobre a Legitimidade e o Estudo da Filosofia Africana. Ensaios Filosóficos, Volume IV - outubro/2011.

SANTOS, Boaventura de Sousa; MENESES, Maria Paula. Epistemologias do sul [livro eletrônico]. São Paulo: Cortez, 2013. ISBN 978-85-249-2107-0

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Publicado

31-08-2026

Como Citar

Barbalho, J. G. do N., & Pereira, V. (2026). PARA ALÉM DO CÂNONE: : FILOSOFIA, PLURALIDADE E DESCOLONIZAÇÃO DO PENSAR. Problemata - Revista Internacional De Filosofia, 17(2), 35–48. https://doi.org/10.7443/problemata.v17i2.78111

Edição

Seção

DECOLONIALIDADE, QUESTÕES DE GÊNERO E TERRITORIALIDADE