LITERATURA INDÍGENA PARA CRIANÇAS E JOVENS: RECONTOS PARA VOLTAR PARA CASA
DOI:
https://doi.org/10.22478/ufpb.1516-1536.2024v26n3.71259Palavras-chave:
literatura indígena;, literatura infantil e juvenil;, projeto gráfico-editorial;, projeto literárioResumo
Neste artigo apresentamos uma reflexão sobre a literatura indígena que vem sendo publicada na contemporaneidade, a partir da análise de elementos dos projetos gráfico-editorial e literário do livro Nós, uma antologia de literatura indígena, que reúne dez narrativas representativas de dez povos indígenas diferentes recontadas por escritores indígenas. Ele foi organizado e ilustrado por Mauricio Negro, apresenta paratexto na quarta capa de Daniel Munduruku e foi premiado pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ), na categoria reconto em 2020 (produção 2019). Sendo assim, abordaremos também uma breve discussão sobre o gênero reconto e autoria indígena. Como fundamentação teórica dialogamos com Graça Graúna, sobre literatura indígena, e com Eduardo Viveiros de Castro, sobre o perspectivismo ameríndio. Percebe-se na obra um alinhamento entre projeto gráfico-editorial e projeto literário, que possuem como importantes características a expressão de resistência e reafirmação cultural, de valorização da experiência e sabedoria dos povos indígenas no Brasil. Destaca-se uma problematização de uma perspectiva individualista, de supremacias, colocando no centro as relações de interdependência entre tudo que é vivente, a partir da consciência da impermanência, da constância da mutabilidade de tudo que existe no mundo.
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