INCITANDO VOZES DO SILÊNCIO EM PAULINA CHIZIANE
RELAÇÕES ENTRE GÊNERO E MEMÓRIA EM “AS CICATRIZES DO AMOR”
DOI:
https://doi.org/10.22478/ufpb.1516-1536.2024v26n2.70978Palabras clave:
“As cicatrizes do amor”, memória, gênero, Paulina ChizianeResumen
Primeira mulher africana a ganhar o Prêmio Camões de Literatura (2021), a moçambicana Paulina Chiziane destaca-se por incorporar em sua literatura uma perspectiva assentada na oralidade advinda da sua raiz cultural bantu, o que a faz uma verdadeira contadora de histórias, como ela mesma se considera. Com uma linguagem rica e poética, suas obras abordam temáticas socioculturais que afetam a vida das mulheres e minorias em Moçambique, problematizando desigualdades e injustiças sociais. Nesse contexto, encontra-se o conto “As cicatrizes do amor” – presente na coletânea de literatura e direitos humanos Griots (2020), foco deste trabalho, que narra a história de Maria, uma mulher moçambicana proprietária de um bar que, ao ser confrontada por uma notícia de jornal sobre uma mãe que abandona os filhos, resgata momentos traumáticos de sua própria história de vida, em que se viu em uma situação semelhante e sem qualquer tipo de apoio. Nosso objetivo, portanto, é analisar a experiência da personagem Maria, destacando problematizações relacionadas às questões de gênero e memória. Para isso, utilizaremos como escopo teórico os trabalhos de Oyèrónké Oyěwùmí (2004), Ifi Amadiume (2006), Hampaté Bâ (2010) e Maurice Halbwachs (1990), além da fortuna crítica da obra de Chiziane.
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Citas
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