A centralidade das representações sociais de um currículo de habilidades entre professores

  • Diego Mota Colégio Pedro II
  • Denise Rocha Correa Lannes Universidade Federal do Rio de Janeiro

Resumo

Investiga-se, neste artigo, a política curricular da rede estadual de ensino fluminense, o Currículo Mínimo. Seguindo o caminho adotado por outros estados, o Rio de Janeiro adota medidas para reestruturar sua rede de ensino e melhorar os indicadores educacionais. Para esse fim, tem se apropriado de estratégias de responsabilização, estandardização, centralização do currículo e criação de seu próprio sistema de avaliação em larga escala. O presente estudo possui como questão central discutir as concepções dos professores sobre o Currículo Mínimo de Ciências. Esta análise estrutura-se na teoria das representações sociais e busca conhecer e explorar os elementos de maior centralidade no perfil identitário dos docentes sobre o currículo. O conteúdo da centralidade das representações sociais sugere que os professores vivem um momento de reajustes em sua prática. É fundamental desenvolver meios que deixem mais claros os objetivos da política. Deve-se implantar estratégias para capacitar os professores a lidar com a estrutura contemporânea dos currículos, baseada em habilidades e competências. É preciso que estas políticas sejam consolidadas com longevidade, com objetivos claros e pedagogicamente definidos, os quais sejam plenamente esclarecidos e justificados para aqueles que farão sua efetivação. Desta maneira, somente com o engajamento e a participação dos professores, pode-se pensar em políticas educacionais de fato transformadoras.

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Biografia do Autor

Diego Mota, Colégio Pedro II
Prof. do Colégio Pedro II e Pesquisador do Lab. Em Formação (UFRJ), onde é orientado pela Prof. Dra. Denise Lannes. Desde 2001 dedica-se à Ed. Básica, nas redes municipal e estadual fluminenses e em escolas prisionais. Biólogo, especialista em Educação e Mestre em Biologia Geral, pela UFRJ.
Denise Rocha Correa Lannes, Universidade Federal do Rio de Janeiro
Graduada em Ciências Biológicas, com mestrado e doutorado na área de concentração em Educação, Gestão e Difusão em Biociências, pelo Instituto de Bioquímica Médica da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Atualmente, é professora Associado do Instituto de Bioquímica Médica (UFRJ) onde é coordenadora da pós-graduação lato sensu - Especialização em Ensino de Ciências e da pós-graduação stricto-sensu - Mestrado Profissional. É professora colaboradora da área de Prática Docente, da Diretoria de Extensão, do Centro de Educação a Distância do Estado do Rio de Janeiro (Fundação Cecierj). É Editora Chefe da Revista Em Formação. Coordenadora da equipe de elaboração do "Currículo Mínimo" da Rede Pública Estadual do Rio de Janeiro, para as modalidades do Ensino Regular, EJA e Curso Normal - Formação de Professores, para as disciplinas de Ciências/Biologia. Tem experiência nas áreas de Educação, Gestão e Divulgação Científica, com ênfase na pesquisa nas áreas de Práxis Pedagógica e Representações Sociais, atuando principalmente nos seguintes temas: formação de professores, identidade profissional, currículo, processos avaliativos e interação ciência e arte.

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Publicado
2017-12-31
Como Citar
MOTA, D.; LANNES, D. R. C. A centralidade das representações sociais de um currículo de habilidades entre professores. Revista Espaço do Currículo, v. 10, n. 3, 31 dez. 2017.