SILENCIAMENTOS NOS CURRÍCULOS OFICIAIS E A EDUCAÇÃO ESCOLAR QUILOMBOLA

as narrativas da comunidade remanescente do Alto do Tamanduá-AL

Autores

  • Diego dos Santos Alves Instituto Federal de Alagoas, Brasil. https://orcid.org/0000-0002-9247-9965
  • Beatriz Medeiros de Melo Instituto Federal de Alagoas, Brasil.

DOI:

https://doi.org/10.15687/rec.v14i3.60707

Palavras-chave:

Narrativas, Currículo, Comunidades remanescentes quilombolas, Hist´ória oral

Resumo

O intenso processo de escravidão no Brasil lançou à exclusão as populações afro-brasileiras e africanas, que elaboraram estratégias de resistência para sobreviver à barbárie do sistema escravista. Assim como ontem, hoje os povos africanos e seus descendentes na Diáspora são desafiados a re-existir num cenário de negação de direitos básicos. Este artigo tece reflexões sobre a negação da memória e da história quilombola nos currículos oficiais. Inicialmente, examina as possibilidades de um currículo intercultural para o fomento da história e cultura quilombola nos contextos escolares. Em seguida, apresenta as narrativas dos moradores da comunidade remanescente do Alto do Tamanduá/AL como caminhos possíveis para o diálogo com a memória quilombola. Ademais, analisa as condições de acesso à educação na comunidade, tendo por base as previsões legais da Educação Escolar Quilombola. O estudo ancora-se na metodologia da História Oral, com o emprego de entrevistas, sendo parte de uma investigação em nível de mestrado no âmbito do ProfEPT/Ifal, que resultou na elaboração de um vídeo documentário como Produto Educacional, contendo as memórias sociais daquela comunidade. Sem pretender encerrar as reflexões, indica caminhos para a inclusão da memória quilombola nos currículos.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Diego dos Santos Alves, Instituto Federal de Alagoas, Brasil.

Mestre em Educação Profissional e Tecnológica pelo Instituto Federal de Alagoas e Docente do mesmo Instituto no campus Santana do Ipanema.

Beatriz Medeiros de Melo, Instituto Federal de Alagoas, Brasil.

Doutora em Sociologia pela Universidade Federal de São Carlos e Docente, Professora do Instituto Federal de Alagoas no campus de Viçosa, Docente Permanente no Programa de Mestrado Profissional em Educação Profissional e Tecnológica e Colaboradora no Programa de Mestrado em Sociologia da Universidade Federal de Alagoas. 

Referências

ALVES, Diego dos Santos. História, memória e imagem quilombola: o vídeo educativo como recurso didático no currículo do Ensino Médio Integrado. 2021. Dissertação (Mestrado Profissional em Educação Profissional e Tecnológica) – Instituto Federal de Alagoas (ProfEPT/Ifal), Maceió, 2021. Disponível em: https://sucupira.capes.gov.br/sucupira/public/consultas/coleta/trabalhoConclusao/viewTrabalhoConclusao.xhtml?popup=true&id_trabalho=10386278. Acesso em: 21 mai. 2019.

ALVES, Diego dos Santos; MELO, Beatriz Medeiros de. Narrativas Quilombolas: memórias da comunidade remanescente do Alto do Tamanduá-AL. Maceió: Edição própria, 2021. Disponível em: https://educapes.capes.gov.br/handle/capes/586865. Acesso em: 10 mar. 2021.ALVES, Hérlei Mariano Martins; GOMES, Jarbas Mauricio. Nas trilhas da inclusão: contribuições dos técnicos aministrativos em educação. Maceió: Edição própria, 2021. Disponível em: https://www.educapes.capes.gov.br/handle/capes/603933 Acesso em: 07 dez. 2021.

ANDRADE, Juliana Alves de. A Mata em movimento: Coroa portuguesa, Senhores de Engenho, Homens livres e a produção do espaço na Mata Norte de Alagoas. 2008. Dissertação (Mestrado em História) – Programa de Pós-Graduação em História, Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa, 2008.

APPLE, Michael Whitman. Ideologia e currículo. São Paulo: Brasiliense, 1982.

ARROYO, Miguel Gonzalez. Currículo, território em disputa. Petropólis: Vozes, 2013.

ARROYO, Miguel González. Os Movimentos Sociais e a construção de outros currículos. Educar em Revista, [S.l.], v. 31, n. 55, p. p. 47-68, feb. 2015. ISSN 1984-0411. Disponível em: https://revistas.ufpr.br/educar/article/view/39832. Acesso em: 27 mai. 2020.

BARROS, Roberto Idalino; CAVALCANTI, Ricardo Jorge de Sousa. Portfólio – rodas de conversa: diálogo com a diversidade sexual e de gênero na escola. Maceió: Edição própria, 2021. Disponível em: https://www.educapes.capes.gov.br/handle/capes/603459 Acesso em: 07 dez. 2021.

BOSI, Éclea. Memória e Sociedade: lembrança de velhos. 3ª ed. São Paulo: Companhia das Letras, 1994.

BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF. Presidência da República, [2019]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso em: 20 out. 2019.

BRASIL. Resolução CNE/CEB n. 8, de 20 de novembro de 2012. Define as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Escolar Quilombola na Educação Básica. Diário Oficial da União, Brasília, DF: MEC/CNE/CEB, 21 nov. 2012. Seção 1, p. 26.

BRASIL. Lei n.o 10.639, de 9 de janeiro de 2003. Altera a Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática "História e Cultura Afro-Brasileira", e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 10 jan. 2003a, p. 01. Disponível em http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/2003/L10.639.htm. Acesso em: 21 out. 2019.

BUENO, Thaís Barros de Lima Galvão; Cardozo, Guilherme Lima. A escravidão moderna no Brasil: análise sob o aspecto do princípio da dignidade da pessoa humana. Revista EDUC, vol. 03, nº 2, jul. 2016. Disponível em: http://uniesp.edu.br/sites/_biblioteca/revistas/20171006092120.pdf. Acesso em: 12. jun. 2021.

CANDAU, Vera Maria. Diferenças, Educação Intercultural e Decolonialidade: temas insurgentes. Revista Espaço do Currículo, [S. l.], v. 13, n. Especial, p. 678–686, 2020. Disponível em: https://periodicos.ufpb.br/index.php/rec/article/view/54949. Acesso em: 2 jul. 2021.

CAVALCANTI, José Luiz. A Lei de Terras de 1850 e a reafirmação do poder básico do Estado sobre a terra. Histórica, São Paulo, ed nº 2, jun. 2005. Disponível em: http://www.historica.arquivoestado.sp.gov.br/materias/anteriores/edicao02/materia02/LeideTerra.pdf. Acesso em: 17. mai. 2021.

CAVALLEIRO, Eliane. Educação anti-racista: compromisso indispensável para um mundo melhor. In: CAVALLEIRO, Eliane (Org.). Racismo e anti-racismo na educação: repensando nossa escola. São Paulo: Selo Negro, 2001.

CHARLOT, Bernard. Da relação com o saber às práticas educativas. São Paulo: Cortez, 2013.

DAXENBERGER, Ana Cristina Silva; SOBRINHO, Rosivaldo Gomes de Sá. Redescobrindo a identidade brasileira: a introdução da disciplina Educação das relações Étnico raciais na formação de graduandos. Revista Espaço do Currículo, [S. l.], v. 14, n. 1, p. 1–9, 2021. Disponível em: https://periodicos.ufpb.br/index.php/rec/article/view/57764. Acesso em: 2 jul. 2021.

FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Paz e terra, 1987.

GOMES, Flávio dos Santos. Mocambos e quilombos: uma história do campesinato negro no Brasil. São Paulo: Claro Enigma, 2015.

GOMES, Nilma Lino. Relações étnico-raciais, educação e descolonização dos currículos. Currículo sem Fronteiras, v. 12, n. 1, jan/abr, 2012. Disponível em: https://www.curriculosemfronteiras.org/vol12iss1articles/gomes.htm. Acesso em: 12 out. 2020.

HALBWACHS, Maurice. A memória coletiva. São Paulo: Centauro, 2006.

HAMPÂTÉ BÁ, Amadou. A tradição viva. In: KI-ZERBO (Editor). História geral da África, I: Metodologia e pré-história da África. Brasília: UNESCO, 2010.

HOOKS, Bell. Ensinando a transgredir: a educação como prática da liberdade. São Paulo: Martins Fontes, 2013.

IBGE. Censo (2010). Disponível em: https://censo2010.ibge.gov.br/. Acesso em: 20. jun 2021.

ITERAL. Instituto de Terras e Reforma Agrária de Alagoas. Página inicial. Disponível em: http://www.iteral.al.gov.br/dtpaf/comunidades-quilombolas-de-alagoas/comunidades-quilombolas-de-alagoas. Acesso em: 20 de jun. de 2021.

LEITE, Rafael Félix; MELO, Beatriz Medeiros de. Caderno reflexivo: crime, sistema prisional e trabalho prisional. Maceió: Edição própria, 2021. Disponível em: https://www.educapes.capes.gov.br/handle/capes/643217 Acesso em: 07 dez. 2021.

MARTINS, Marcos. Francisco. Educação escolar pública, gratuita, laica e de qualidade socialmente referenciada: um direito por conquistar no Brasil. Crítica Educativa, [S. l.], v. 3, n. 3, p. 1–2, 2018. Disponível em: https://www.criticaeducativa.ufscar.br/index.php/criticaeducativa/article/view/288. Acesso em: 1 jul. 2021.

MELO, Thaísa Martins Porto de Souza; LIMA, André Suêldo Tavares de. Oficinas de Educação Alimentar e Nutricional: a sustentabilidade em uma perspectiva transdisciplinar. Maceió: Edição própria, 2021. Disponível em: https://www.educapes.capes.gov.br/handle/capes/603281 Acesso em: 07 dez. 2021.

MINAYO, Maria Cecília de Souza. Análise qualitativa: teoria, etapas e fidedignidade. Ciênc. saúde coletiva , Rio de Janeiro, v. 17, n. 3, p. 621-626, março de 2012. Disponível em http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-81232012000300007&lng=en&nrm=iso Acesso em: 19 de julho de 2020.

MOREIRA, Antonio Flavio Barbosa. Indagações sobre currículo : currículo, conhecimento e cultura / [Antônio Flávio Barbosa Moreira ,Vera Maria Candau] ; organização do documento Jeanete Beauchamp, Sandra Denise Pagel, Aricélia Ribeiro do Nascimento. – Brasília : Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica, 2007.

MOURA, Clóvis. Quilombos - resistência ao escravismo. São Paulo: Ática, 1993.

PASQUALLI, Roberta; VIEIRA, Josimar de Aparecido; CASTAMAN, Ana Sara. Produtos educacionais na formação do mestre em educação profissional e tecnológica. Educitec - Revista de Estudos e Pesquisas sobre Ensino Tecnológico, Manaus, Brasil, v. 4, n. 07, 2018. DOI: 10.31417/educitec.v4i07.302. Disponível em: https://sistemascmc.ifam.edu.br/educitec/index.php/educitec/article/view/302. Acesso em: 8 dez. 2021.

PIONTKOVSKY, Danielle; GOMES, Maria Regina Lopes. Micropolíticas, currículos e formações nas invenções das escolas. Revista Teias, [S.l.], v. 18, n. 51, p. 117-133, nov. 2017. ISSN 1982-0305. Disponível em: https://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/revistateias/article/view/30767/22835. Acesso em: 01 jul. 2021.

PORTELLI, Alessandro. A Filosofia e os Fatos. Narração, interpretação e significado nas memórias e nas fontes orais. Tempo, vol. 1, n° 2, 1996. Disponível em: https://www.historia.uff.br/tempo/artigos_dossie/artg2-3.pdf Acesso em: 12 mar. 2021.

QUIJANO, Anibal. Colonialidade do poder, eurocentrismo e América Latina. In: QUIJANO, Anibal. A colonialidade do saber: eurocentrismo e ciências sociais, perspectivas latino-americanas. Buenos Aires: CLACSO, 2005. p. 117-142.

SACRISTÁN, José Gimeno. Saberes e Incertezas sobre o Currículo. Porto Alegre: Editora Penso, 2013.

THOMPSON, Edward Palmer. Costumes em comum: estudos sobre a cultura popular tradicional. Tradução Rosaura Eichemberg. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.

YOUNG, Michael. Teoria do currículo: o que é e por que é importante. Cafajeste. Pesqui. , São Paulo, v. 44, n. 151, pág. 190-202, março de 2014. Disponível em http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-15742014000100010&lng=en&nrm=iso. Acesso em 17 de setembro de 2020.

Downloads

Publicado

22-12-2021

Como Citar

DOS SANTOS ALVES, D. .; MEDEIROS DE MELO, B. SILENCIAMENTOS NOS CURRÍCULOS OFICIAIS E A EDUCAÇÃO ESCOLAR QUILOMBOLA: as narrativas da comunidade remanescente do Alto do Tamanduá-AL. Revista Espaço do Currículo, [S. l.], v. 14, n. 3, p. 1–17, 2021. DOI: 10.15687/rec.v14i3.60707. Disponível em: https://periodicos.ufpb.br/index.php/rec/article/view/60707. Acesso em: 1 jun. 2023.