NARRADOR COMO MEDIADOR SIMBÓLICO: UMA ANÁLISE COMPARATIVA DE DUAS VERSÕES DO CONTO CHAPEUZINHO VERMELHO
DOI:
https://doi.org/10.22478/ufpb.1516-1536.2024v26n3.71027Palavras-chave:
mediação, narrador, Chapeuzinho VermelhoResumo
Partindo do pressuposto de que o narrador, instância narrativa responsável pela condução da nossa leitura e, assim, por nos aproximar ou distanciar, nos mostrar ou esconder, nos envolver ora mais ora menos no mundo narrado, é um mediador simbólico no processo de leitura (Volmer, 2015), nos ancoramos em Adam (1987), Genette (2017) e Garcia (1973), para analisar duas versões do conto clássico Chapeuzinho Vermelho: uma, publicada originalmente em alemão no século XIX e escrita pelos Irmãos Grimm, “Chapeuzinho Vermelho”, e a outra, publicada no século XXI, intitulada “Chapeuzinho Vermelho e o Boto-cor-de-rosa”, escrita por Cristina Agostinho e Ronaldo Simões Coelho e ilustrada por Walter Lara. Este estudo, de cunho bibliográfico e qualitativo, tem como objetivo investigar as estratégias discursivas empregadas pelos narradores e tecer possíveis aproximações e distanciamentos entre as duas obras pelo viés do narrador como mediador simbólico de leitura. Assim, após a leitura e o levantamento dos elementos que compõem as narrativas, direcionamos nosso olhar para a história e para o seu discurso, especialmente para a atuação do narrador com vistas ao narratário. Apesar da distância temporal, as obras se aproximam pela estrutura e sequência narrativa, evidenciando que a adaptação contemporânea mantém a essência do conto do século XIX. Ambos os narradores apresentaram estratégias discursivas que dão ritmo, forma e literariedade para o texto de forma similar, provocando sensações e reações no leitor, mesmo atuando com séculos de distância. Enquanto mediadores, evidenciaram atuar, para além da função narrativa, como mediadores entre texto e leitor e cultura e leitor.
Downloads
Referências
ADAM, Jean-Michel. Types de séquences textuell es élémentaires. Pratiques, Metz, v. 56, p. 54-79, 1987.
AGOSTINHO, Cristina; COELHO, Ronaldo Simões; LARA, Walter. Chapeuzinho vermelho e o boto-cor-de-rosa. Belo Horizonte: Mazza, 2020.
BRUM, Liniane Haag. Psiquê, de Angela Lago: quando a imagem é palavra. Literartes, [S.l.], n. 3, p. 51-67, 2014. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/literartes/article/view/89202. Acesso em: 20 maio 2024.
CANDIDO, Antonio. Vários escritos. 3. ed. São Paulo: Duas Cidades, 1995.
DAHL, Roald. Revolting Rhymes. London: Puffin Books, 2009.
DURAN, Teresa. Leer antes de leer. Madrid: Anaya, 2002.
FORSTER, Edward Morgan. Aspectos do romance. Tradução: Maria Helena Martins. Porto Alegre: Editora Globo, 1969.
GARCIA, Othon Moacyr. Comunicação em prosa moderna: aprenda a escrever, aprendendo a pensar. 2. ed. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas, 1973.
GENETTE, Gérard. Discurso da narrativa. Lisboa: Vega, 2017.
GRIMM, J.; GRIMM, W. Chapeuzinho Vermelho. In: GRIMM, J.; GRIMM, W. Contos maravilhosos infantis e domésticos. Tomo I [1812] e tomo II [1815]. Tradução de Christine Röhrig. São Paulo: Editora 34, 2018, p. 105-108.
HAUSER, Arnold. Sociología del público. In: HAUSER, Arnold. Sociología del arte. Barcelona: Editorial Labor, 1977. p. 549 599.
ISER, Wolfgang. A indeterminação e a resposta do leitor na prosa de ficção. Tradução: Maria Angela Aguiar. Cadernos do Centro de Pesquisas Literárias da PUCRS – Série Traduções, Porto Alegre, v. 3, n. 2, mar. 1999.
LAJOLO, Marisa; ZILBERMAN, Regina. Literatura infantil brasileira: histórias e histórias. 2. ed. São Paulo: Ática, 1985.
LERAY, Marjolaine. Little red hood. London: Phoenix Yard, 2011.
PAULINO, Graça. Diversidade de narrativas. In: PAIVA, Aparecida et al. (orgs.). No fim do século: a diversidade – o jogo do livro infantil e juvenil. 2. ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2003. p. 39-48.
PETIT, Michele. Os jovens e a leitura. São Paulo: Editora 34, 2013.
SARAIVA, Juracy. Narrativa literária: aspectos composicionais e significação. In: SARAIVA, Juracy. (org.). Literatura e alfabetização: do plano do choro ao plano da ação. Porto Alegre: Artmed, 2001.
A HISTÓRIA da avó. In: TATAR, Maria. Contos de fadas. 2. ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2013. p. 385-387.
TODOROV, Tzvetan. As categorias da narrativa literária. In: BARTHES, R. et al. Análise estrutural da narrativa: pesquisas semiológicas. Tradução: Maria Zilda Barbosa Pinto. Petrópolis: Vozes, 1971.
VOLMER, Lovani. Mostrar? Esconder? Seduzir? O papel do narrador em obras do PNBE 2010. 2015. Tese (Doutorado em Letras) – Universidade de Caxias do Sul, Caxias do Sul, 2015. Disponível em: https://repositorio.ucs.br/handle/11338/967. Acesso em: 15 jan. 2024.
VYGOTSKY, Lev. A formação social da mente: o desenvolvimento dos processos psicológicos superiores. 3. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1989.
ZILBERMAN, Regina. A literatura infantil na escola. 6. ed. São Paulo: Global, 1987.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2025 Mestra Gabrielly Sierra, Dra. Lovani Volmer, Dr. Daniel Conte

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.



