QUANDO A POESIA DANÇA NA MATERIALIDADE DA OBRA
DOI:
https://doi.org/10.22478/ufpb.1516-1536.2024v26n3.71203Palabras clave:
Manoel de Barros; Texto Poético; Multissemiótica; Ilustração; Paratexto.Resumen
Considerando a recorrência das discussões sobre ilustração e relação texto-imagem em
obras destinadas ao público infantil e juvenil, propomos abordar essas interações entre texto
verbal, imagens, recursos gráficos e elementos paratextuais, a partir da leitura analítica de duas
obras distintas de autoria de Manoel de Barros: Escritos em Verbal de Ave (Barros, 2011) e
Poeminha em língua de brincar (Barros, 2019) ilustrado por Kammal João. A obra Escritos em
Verbal de Ave é composta por quatorze páginas dobradas em cruz, formando um mosaico, e
apresenta uma linguagem poética breve (que se assemelha a haicais). Já, em Poeminha em língua
de brincar, os versos, ao serem articulados com ilustrações, permitem cruzamentos potentes na
obra, o que é ratificado pelos aspectos gráficos. O jogo entre as palavras, suas disposições nas
páginas, as imagens, as cores, as formas acabam por reverberar traços marcantes da poética do
poeta, configurando uma ciranda multissemiótica de produção de sentidos. Para a leitura analítica
das obras, Pfeiffer (1966), Cohen (1974), Staiger (1975) e Paz (1986) contribuem para a
percepção da linguagem poética. Já a relação entre texto verbal e imagético pautam-se em Linden
(2011), Nikolajeva; Scott (2011); aspectos relativos ao livro e sua materialidade são abordados
por Genette (2009), em especial, os elementos paratextuais que provocam uma certa "zona
indecisa" entre o interior e o exterior da obra. Os diferentes recursos e elementos das obras
oportunizam possibilidades de jogos de sentidos entre si, aspecto que abre diferentes portas para
a participação do leitor em cada uma das obras.
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