PISTAS PARA O DESPERTAR DE UMA EPISTEMOLOGIA RACIALIZADA
DOI:
https://doi.org/10.7443/problemata.v16i4.73261Palavras-chave:
Epistemologia Racializada, Contrato Racial, Branquitude, Universalismo Europeu, Filosofia da CiênciaResumo
O objetivo central deste ensaio consiste em lançar algumas pistas para pavimentar o caminho rumo a uma epistemologia explicitamente racializada. Nele, eu desenvolvo o argumento segundo o qual o universalismo (europeu) foi e continua sendo, no fundo, uma espécie de nome velado e pomposo para escamotear os privilégios de enunciação da branquitude. Partindo da premissa de que este tipo de universalismo está em processo de colapso, em virtude da explosão de um grito ancestral negro e indígena que estava reprimido há séculos, estabeleço, por um lado, um diálogo com abordagens filosóficas pretensamente críticas (Richard Rorty, Alain Badiou e Ernesto Laclau), cunhadas aqui por mim de epistemologia “espelho sem aço”, exatamente por não racializarem abertamente suas próprias perspectivas; por outro, uma provocação à epistemologia que reputo como arrogantemente “humilde” (da “nova” filosofia da ciência aos science studies), uma vez que ela historiciza a ciência ao mesmo tempo em que continua tomando-a como um saber especial ou superior aos demais. Por último e mais importante, faço um convite para caminharmos em direção à epistemologia racializada inspirado, entre outras coisas, na ideia de quebra do contrato racial e de pacto da branquitude formulada por Charles Mills e Cida Bento, respectivamente.
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