A GOVERNAMENTALIDADE AVALIATIVA E A LÓGICA DE CONTROLE DO ENEM E SAEB:
IMPLICAÇÕES PARA O ENSINO DE FILOSOFIA
DOI:
https://doi.org/10.7443/problemata.v17i2.78534Palavras-chave:
Avaliações em larga escala, governamentalidade, racionalidade neoliberal, simulacro, ensino de FilosofiaResumo
O presente artigo analisa o papel das avaliações de larga escala nas políticas educacionais brasileiras, com foco em seus efeitos sobre o ensino de Filosofia. Parte-se da hipótese de que tais avaliações, operam como dispositivos de poder que reconfiguram a organização escolar e as práticas pedagógicas. A partir do referencial teórico de Michel Foucault, as avaliações são compreendidas como elementos de uma governamentalidade avaliativa, orientada pela condução das condutas por meio de mecanismos de controle, comparação e normalização. Em diálogo com Christian Laval, evidencia-se que essa racionalidade se articula ao neoliberalismo, que redefine a educação segundo os princípios da performance, da competitividade e da utilidade econômica. Por fim, com base em Jean Baudrillard, discute-se a produção de um simulacro de escola, no qual os indicadores deixam de representar a realidade educacional e passam a constituí-la. Conclui-se que esse processo implica a redução do ensino de Filosofia à lógica do desempenho, comprometendo sua dimensão formativa e crítica.
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