A TRADUÇÃO COMO “CONTINUIDADE DA VIDA” DAS CENT BALLADES DE CHRISTINE DE PIZAN
DOI:
https://doi.org/10.22478/ufpb.1516-1536.2024v26n4.73953Palavras-chave:
Tradução Literária, Vida do texto, Escrita femininaResumo
Traduzir propõe questões no que se refere à representação de si e da/o Outra/o, como por exemplo, de que forma traduzir a dor alheia, a experiência de outra mulher tão distante da minha? Ao mesmo tempo em que há afastamento, pode haver aproximação entre autora e tradutora. A tradução apresentada neste trabalho é motivada por leituras (ZUMTHOR, 2009) da obra e acerca dela em Christine de Pizan, especificamente as Cent Ballades (1399) e seus elementos biográficos, trabalho realizado após a morte de seu esposo, quando Christine se lançava na carreira e alcançava a atenção e o favor de quem poderia lhe permitir viver da escrita. Por essa razão, proponho discutir de que forma a prática tradutória interpela a tradutora que, ao assumir a voz de outra mulher e de outra temporalidade, lhe permite continuar a viver. Entendo “continuar a vida do texto” não apenas como uma releitura ou uma atualização, mas uma forma de crítica que se faz sobre uma “forma singular de vida” (CARDOZO, 2021) do texto que se traduz. Para completar o percurso da voz de outra mulher, recorro a Berman (2013), cujo princípio de tradução literária, chamado de “analítica da tradução”, se dá através de uma “reflexão sobre a dimensão ética, poética e pensante do traduzir”. Portanto, apresento as Baladas XVII, XVIII e XX das Cent Ballades, para demonstrar como as traduzi e quais elementos foram observados no exercício da tradução.
Downloads
Referências
BERMAN, Antoine. A Tradução e a Letra ou o Albergue do Longínquo. Tradução Marie-Hélène C. Torres, Mauri Furlan, Andreia Guerini; revisores Luana Ferreira de Freitas, Marie-Hélène Catherine Torres, Mauri Furlan, Orlando Luiz de Araújo. 2ª ed. Tubarão: Copiart; Florianópolis: PGET/UFSC, 2013.
CAMPOS, Haroldo. Metalinguagem & Outras Metas. Ensaios de teoria e crítica literária. 4ª ed. Revista e ampliada. São Paulo: Ed. Perspectiva, 1992.
CARDOZO, Mauricio Mendonça. Haroldo de Campos: recriação, transcriação e a tradução como forma de vida. In: CARDOZO, M.M.; MORAES, M. J.; SISCAR, M. Vida poesia tradução. Rio de Janeiro: 7Letras, 2021, p. 89-135.
CHRISTINE DE PIZAN. Œuvres poétiques de Christine de Pizan, éd. Maurice Roy, Paris, Firmin Didot, Société des anciens textes français, 1886–1896, 3 t., t. I, 1886 [1399].
DRUCIAK, Carmem Lúcia. Os versos de Eustache Deschamps como fonte para a História Cultural da França na Baixa Idade Média. Saeculum – Revista de História, 38, João Pessoa, jan./jun., 2018, p. 105-123.
DRUCIAK, Carmem Lúcia. Traduzir o canto de Christine de Pizan no confinamento. Belas Infiéis, Brasília, Brasil, v. 10, n. 3, p. 01–24, 2021. DOI: 10.26512/belasinfieis.v10.n3.2021.33801. Disponível em: https://periodicos.unb.br/index.php/belasinfieis/article/view/33801
GALDERISI, Claudio. Discontinuité des poétiques – La discontinuité des poétiques au Moyen Âge. In : LESTRINGANT, Frank ; ZINK, Michel Histoire de la France littéraire – Naissances, Renaissances, Moyen Âge – XVIe siècle. 3e Ed. Paris : PUF, 2009, p.785-793.
GAUCHER-RÉMOND, Elisabeth; GARAPON, Jean. Avant-propos. In : GAUCHER-RÉMOND, Elisabeth ; GARAPON, Jean (orgs.). L’autoportrait dans la littérature française. Du Moyen Âge au XVIIe siècle. Rennes: Presses universitaires de Rennes, 2013, p. 7-20. Disponível em: www.pur-editions.fr.
GAUVARD, Claude. Le temps des Valois 1328-1515. Paris: PUF, 2013.
GROS, Gérard ; MENAGER, Daniel; CHAUVEAU, Jean-Pierre (orgs.). Anthologie de la poésie française – Moyen Âge, XVIe siècle, XVIIe siècle. Paris : Gallimard/Bibliothèque de la Pléiade, 2000.
HEGER, Henrik. Ballade. In: GAUVARD, Claude; LIBERA, Alain ; ZINK, Michel (orgs.), Dictionnaire du Moyen Âge. 4e ed. Paris: PUF, 2012 [2002], p. 127.
HUIZINGA, Johan. O outono da Idade Média. São Paulo: Cosac & Naify, 2010.
LAIDLAW, James Cameron. L’unité des « Cent Balades ». In: DE RENTIIS, Dina; ZIMMERMANN, Margarete. The city of scholars : New approaches to Christine de Pizan. European cultures, vol. 2. Berlin, New York: de Gruyter, 1994, p. 97-106.
LARANJEIRA, Mário. Sentido e significância na tradução poética. Estudos Avançados, [S. l.], v. 26, n. 76, p. 29-37, 2012. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/eav/article/view/47536.
MESCHONNIC, Henri. Pour la Poétique II – Épistémologie de l’écriture / Poétique de la Traduction. Paris : Gallimard, 1973.
SISCAR, Marcos. A tradução extravagante: Maria Gabriela Llansol, leitora de Baudelaire. In: CARDOZO, Mauricio Mendonça; MORAES, Marcelo Jacques; SISCAR, Marcos. Vida poesia tradução. Rio de Janeiro: 7Letras, 2021, p. 11-50.
VERGER, Jacques. Homens e saber na Idade Média. Trad. Carlota Boto. Bauru, SP: EDUSC, 1999.
VIGNES, Jean. Lyrique à la Renaissance. In : LESTRINGANT, Frank ; ZINK, Michel. Histoire de la France littéraire – Naissances, Renaissances, Moyen Âge – XVIe siècle. 3e Ed. Paris : PUF, 2009, p. 917-956.
ZINK, Michel. Bricoler à bonne distance. La lettre du Collège de France [En ligne], Hors-série 2 | 2008, mis en ligne le 24 juin 2010. URL : http://journals.openedition.org/lettre-cdf/218; DOI : https://doi.org/10.4000/lettre-cdf.218
ZINK, Michel. La subjectivité littéraire : autour du siècle de saint Louis. Paris : PUF, 1985.
ZINK, Michela. Littérature française du Moyen Âge. Paris: Quadrige/PUF, 2004.
ZUMTHOR, Paul. Essai de poétique médiévale. Paris : Éditions du Seuil, 2000.
ZUMTHOR, Paul. Falando de Idade Média. Trad. Jerusa Pires Ferreira. São Paulo: Perspectiva, 2009.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2025 Carmem Lúcia Druciak

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.



