Quando os alunos assumem o controle: um estudo qualitativo sobre metodologias ativas no ensino de português em LEA

Autores

  • Fernanda Pismel

DOI:

https://doi.org/10.22478/ufpb.2966-3997.2025.n2.77396

Palavras-chave:

metodologias ativas, aprendizagem por projetos, Aprendizagem de Língua Estrangeira, LEA

Resumo

Resumo: Este artigo analisa uma experiência de aprendizagem ativa desenvolvida com estudantes de primeiro ano de mestrado em Línguas Estrangeiras Aplicadas em português na Universidade de La Rochelle, no contexto de um projeto de criação de uma revista dedicada ao Ano do Brasil na França. A proposta pedagógica apoiou se em referenciais de metodologias ativas, em particular aprendizagem por projetos, classes invertidas, personalização e cooperação, e teve como objetivo articular trabalho linguístico, reflexão intercultural e aproximação com práticas profissionais ligadas às línguas estrangeiras aplicadas. Do ponto de vista metodológico, o estudo baseia-se em uma abordagem qualitativa centrada na análise de cinco relatórios finais elaborados pelos estudantes, concebidos como diários de bordo nos quais descreveram ações realizadas, percepções, dificuldades e aprendizagens ao longo de dois semestres. Esses documentos foram submetidos a um processo de categorização temática que permitiu agrupar as menções em três grandes eixos: dimensões afetivas e relacionais da experiência, tensões e desafios percebidos e desenvolvimento de competências. Os resultados indicam que a participação em entrevistas, visitas e atividades culturais gerou forte envolvimento emocional, fortalecimento os vínculos entre colegas e a sensação de pertencimento a um projeto comum, confirmando a importância das dimensões afetivas e relacionais na aprendizagem ativa. Ao mesmo tempo, os relatos evidenciam dificuldades de gestão do tempo, sensação de falta de enquadramento em certos momentos, frustrações ligadas à dependência de interlocutores externos e ansiedade diante de imprevistos, o que revela a necessidade de equilibrar autonomia estudantil e estrutura pedagógica. No plano das competências, os estudantes mencionam avanços em comunicação escrita e oral em contexto profissional, gestão de projeto, resolução de problemas, trabalho em equipe, imersão cultural e desenvolvimento de confiança para agir em situações reais. Conclui-se que a experiência funcionou como um laboratório de metodologias ativas no ensino superior, ao mesmo tempo promissor e exigente, e que sua sustentabilidade depende de condições institucionais que reconheçam a complexidade organizacional e o investimento docente implicados nesse tipo de dispositivo.

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Publicado

16-12-2025

Como Citar

Pismel, F. (2025). Quando os alunos assumem o controle: um estudo qualitativo sobre metodologias ativas no ensino de português em LEA. Revista InterCulturas, 2(2), e77396 . https://doi.org/10.22478/ufpb.2966-3997.2025.n2.77396

Edição

Seção

n.2 2025 - Dossiê: Práticas de ensino de línguas e de culturas estrangeiras

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