TRADUZIR ANA MARÍA SHUA:
UMA EXPERIÊNCIA PARA CONTAR
DOI:
https://doi.org/10.22478/ufpb.1516-1536.2025v27n3.75066Palavras-chave:
Ana María Shua, tradução, lugar de fala, cultura, espanhol-portuguêsResumo
Este trabalho tem seu foco na tradução para o português (do Brasil) da obra da escritora argentina Ana María Shua, com ênfase em alguns aspectos de ordem estilística, cultural e ideológica presentes em El Marido Argentino Promedio. Tem sua origem numa inquietação incrustada num pensamento bastante comum no âmbito da tradução que insiste em questionar a legitimidade do trabalho realizado pelo profissional dessa área, cujo assunto original do autor traduzido não esteja diretamente vinculado ao seu gênero, à sua vivência pessoal, ao seu posicionamento político, ou até mesmo às suas origens e crenças. Para levar adiante esta reflexão foi preciso entender, antes de tudo, a importância de encontrar um exemplo contemporâneo concreto que fosse capaz de dar visibilidade ao problema a ser tratado e, assim, servir de norte para esta discussão, além de compreender o conceito de “lugar de fala”, tão em voga nos dias atuais. Do mesmo modo, foi preciso encontrar nos Estudos Culturais da Tradução, na questão do gênero e, especialmente, na Virada Cultural, uma argumentação teórica adequada que pudesse embasar este estudo para, só assim, apresentar alguns aspectos da escrita de Shua relativos ao ritmo, à cultura, à fraseoparemiologia, ao gênero feminino, ao machismo e ao erotismo. Com base nos casos apresentados em Shua, foi possível chegar a alguma conclusão no que diz respeito à atuação do tradutor de textos literários em campos distantes de sua realidade.
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