Clarice Lispector tradutora de literatura infantojuvenil

  • Marcílio Garcia de QUEIROGA UFCG
Palavras-chave: Tradução de Literatura Infantojuvenil, Voz da tradutora, Estudos com base em corpora

Resumo

Clarice Lispector desempenhou, entre outras funções, a de tradutora paralelamente às de escritora e jornalista. Embora seja na atualidade uma das escritoras brasileiras mais estudadas, impressiona a escassez de trabalhos acadêmicos acerca de sua atividade como tradutora. Neste sentido, este trabalho se propõe a colaborar com o tópico ao apresentar o percurso de Clarice Lispector como tradutora de literatura infantojuvenil, trazendo à baila especificidades da tradução do gênero em apreço, bem como aspectos relacionados à voz do tradutor e uma breve análise de corpus. Para realização deste trabalho, baseio-me nos pressupostos da voz do tradutor e presença discursiva do tradutor, de Baker (2000), Hermans (1996 a/b), O’Sullivan (2006) e Schiavi (1996) e estudos com base em corpora (Baker, 1993; 1995; 1996; 1999). O corpus que servirá como suporte para discutir a presença discursiva/voz da tradutora é composto pelas obras “The call of the wild / O chamado selvagem", de Jack London e “Gulliver’s travels / Viagens de Gulliver/”, de Jonathan Swift no par linguístico inglês/português.

Referências

BAKER, M. Corpus Linguistics and Translation Studies: Implications and Applications. In: GILL, Francis and TOGNINI-BONELLI, Elena (Eds). Text and Technology: In Honour of John Sinclair. Amsterdam/Philadelphia: John Benjamins, 1993, p. 233-250.

BAKER, M. Corpora in translation studies: an overview and some suggestions for future research. Target, vol.7, n.2, 1995, p. 223-243.

BAKER, M. Corpus-based translation studies: the challenges that lie ahead. In: SOMERS, H. (ed.). Terminology, LSP and translation: studies in language engineering in honour of Juan C. Sager. Amsterdam/Philadelphia: John Benjamins Publishing Company, 1996, p. 175-186.

BAKER, M. The role of corpora in investigating the linguistic behaviour of professional translators. International Journal of Corpus Linguistics 4, 1999, p. 281-98.

BAKER, M. In other words: a coursebook on translation. London and New York: Routledge, 2011.

CHESTERMAN, A. Memes of translation: the spread of ideas in translation theory. Philadelphia: John Benjamins Publishing, 1997.

DELISLE, J. La traduction raisonn ée. Manuel d ’initiation à la traduction professionnelle de l’anglais vers le français. Ottawa: University of Ottawa, 1993.

GOTLIB, Nádia. Clarice: uma vida que se conta. São Paulo: Ática, 1995.

GOTLIB, Nádia. Clarice - Fotobiografia. São Paulo: EDUSP, 2008.

HERMANS, T. The translator's voice in translated narrative. Target, v. 8, n. 1, p. 23-48, 1996a.

HERMANS, T. Translator’s other, inaugural lecture. London: University College London, 1996b.

HUNT, Peter. Crítica, teoria e literatura infantil. Tradução: Cid Knipel. São Paulo: Cosac Naify, 2010.

JOBE, R. Translation. In: HUNT, P. (Ed.). International companion encyclopedia of children’s literature. New York: Routledge, 1996. pp. 519-529.

KOSTER, C. From World to World. An Armamentarium: For the Study of Poetic Discourse in Translation. Amsterdam: Rodopi, 2000.

LAJOLO, M.; ZILBERMAN, R. Literatura infantil brasileira: história & histórias. 6ª ed. São Paulo: Ática, 2007.

LISPECTOR, C. Minhas queridas. MONTERO, T. (Org.). Rio de Janeiro: Rocco, 2007.

LONDON, J. Chamado selvagem. Trad. Clarice Lispector. Rio de Janeiro: Tecnoprint, 1970.

LONDON, J. The call of the wild. London: Penguin Books, 1994.

MARTING, Diane. Clarice Lispector: a bio-bibliography. Westport: Greenwood Press, 1993.

MIROIR, J.C. L. Fúria e Melodia: Clarice Lispector: crítica (d)e tradução. 475 p. Tese (Doutorado). Programa de Pós-Graduação em Literatura. Universidade Federal de Brasília, Brasília, DF, 2013.

MOLINA, L.; HURTADO ALBIR, A. META. Journal, vol. 47, n° 4, 2002, pp. 498-512.

MOSER, Benjamin. Clarice. São Paulo: Cosac & Naify, 2009.

NEWMARK, P. A textbook of translation. London: Prentice Hall International, 1988.

NIDA, E. A. Toward a Science of Translating with Special Reference to Principles and Proce-dures Involved in Bible Translating. Leiden: E.J.Brill, 1964.

O’CONNELL, E. Translating for children. In: LATHEY, G. The translation of children's literature: a reader. Clevedon: Multilingual Matters Ltd, 2006.

O’SULLIVAN, E. Narratology meets Translation Studies, or the voice of the translator in children’s literature. In: LATHEY, G. The translation of children’s literature: a reader. United Kingdom: Multilingual Matters, 2006. pp.98-109.

QUEIROGA, M.G. A voz da tradutora Clarice Lispector em livros infantojuvenis do gênero aventura. 224 p. Tese (Doutorado). Programa de Pós-Graduação em Estudos da Tradução. Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, SC, 2014.

SCHIAVI, G. There Is Always a Teller in a Tale. In: Target 8(1): 1-21, 1996.

SHAVIT, Z. Poetics of children’s literature. Athens and London: The University of Georgia Press, 1986.

SWIFT, J. Gulliver’s travels. London: Penguin Books, 1994.

SWIFT, J. Viagens de Gulliver. Trad. Clarice Lispector. São Paulo: Abril, 1973.

VASCONCELLOS, Eliane. Inventário do arquivo Clarice Lispector. Rio de Janeiro: Fundação Casa de Cultura Rui Barbosa; Centro de Memória e Difusão Cultural. Arquivo-Museu de Literatura Brasileira, 1993.

VÁZQUEZ-AYORA, G. Introducción a la traductología. Washington: Georgetown University Press, 1977.

VINAY J.P.; DALBERNET, J. A methodology for translation. In: VENUTI, L. (Ed.). Translation studies reader. New York: Routledge, 2009. pp. 84-93.

Publicado
2015-07-25
Como Citar
QUEIROGA, M. G. DE. Clarice Lispector tradutora de literatura infantojuvenil. Revista Graphos, v. 17, n. 1, p. 91-101, 25 jul. 2015.