LÉXICO REGIONAL E O INTRADUZÍVEL NA TRADUÇÃO PARA O ESPANHOL DE CHOVE NOS CAMPOS DE CACHOEIRA, DE DALCÍDIO JURANDIR
DOI:
https://doi.org/10.22478/ufpb.1516-1536.2025v27n3.76536Palavras-chave:
estudos da tradução, literatura amazônica, Dalcídio Jurandir, léxico regional, indraduzibilidadeResumo
O presente artigo resulta do projeto de pesquisa “Tradução de Chove nos Campos de Cachoeira, de Dalcídio Jurandir, para o espanhol”. A produção literária de Jurandir, no que tange ao léxico, é marcada por particularidades regionalistas da cultura amazônica marajoara. O léxico, nesse contexto, desempenha papel central na representação exclusiva da paisagem e do imaginário local. Na tradução para o espanhol, preservar esses elementos representa um desafio significativo, uma vez que o processo exige não apenas a busca por equivalências lexicais, mas também a manutenção de sentidos, contextos e referências culturais que não encontram correspondência direta na língua de chegada. Diante desses desafios léxico-semânticos, apresentaremos, neste artigo, resultados da tradução dos capítulos 1, 2 e 3 de Chove nos Campos de Cachoeira, discutindo como o léxico foi preservado para manter as marcas do regionalismo e como lidamos com a intraduzibilidade. Considerando o forte caráter regional da obra e as implicações culturais na tradução, este trabalho fundamenta-se nos conceitos de tradução social propostos por Severi e Hanks (2014) e de itens culturais específicos por Aixelá (2013). Por fim, este trabalho se insere no diálogo entre culturas e línguas próximas – português e espanhol –, ampliando as reflexões sobre como tais proximidades e diferenças influenciam as escolhas tradutórias. Ao investigar essas questões, pretende-se enriquecer a compreensão sobre o papel da tradução como ponte cultural, especialmente em contextos marcados por forte especificidade regional.
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