MÉDICOS, BOTICÁRIOS E A INTRADUZIBILIDADE DA SÁTIRA:

QUEVEDO NOS SUEÑOS Y DISCURSOS

Autores/as

DOI:

https://doi.org/10.22478/ufpb.1516-1536.2025v27n3.76426

Palabras clave:

Quevedo y Villegas, sátira, medicina, intraduzabilidade, tradução criativa

Resumen

Este artigo examina a representação da medicina na literatura satírica de Francisco de Quevedo y Villegas (1580-1645), com foco na coletânea Sueños y Discursos (1993), que usa visões do além, viagens ao inferno e juízos escatológicos como pretexto para criticar a sociedade de seu tempo. A obra, marcada por imaginação grotesca e contundência, ataca repetidamente médicos e boticários, figuras associadas à cobiça, hipocrisia e ineficácia nessa área científica. Mais que caricaturas, elas simbolizam a crítica ao saber médico, evidenciando seus vínculos com a morte, o lucro e a corrupção moral. A análise dialoga com estudiosos da sátira e de Quevedo, como Nolting-Hauff (1974), Hodgart (1969), Hansen (2004) e Schwartz Lerner (1986), entre outros. Destaca-se, nessa abordagem, a noção de intraduzibilidade de Barbara Cassin (2022), segundo a qual certos termos exigem tradução contínua e reinterpretação, perspectiva útil para compreender a sátira quevediana, rica em jogos de palavras, ambiguidades semânticas e recursos sonoros. Complementarmente, recorre-se à reflexão de Haroldo de Campos (2013) sobre tradução criativa como recriação, permitindo pensar como os trocadilhos, as metáforas e os neologismos de Quevedo podem ser reinventados sem perder a força crítica. O estudo argumenta que a sátira médica de Quevedo reflete os preconceitos e os debates de sua época, ao mesmo tempo em que evidencia o caráter intraduzível da linguagem barroca, cuja eficácia depende da polissemia e da ambiguidade. Demonstra-se como a medicina se torna alvo privilegiado do riso corrosivo quevediano, em relação estreita com a morte, a corrupção e a ganância, oferecendo, até hoje, reflexões sobre os vínculos entre ciência, poder e discurso, além de problematizar a relação entre cura, comércio e palavra.

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Biografía del autor/a

Luzia Antonelli Pivetta, Universidade Federal de Santa Catarina

É Doutoranda do programa de Pós-Graduação em Estudos da Tradução (PGET/UFSC), com período sanduíche na Universidad de Alicante, Espanha, bolsa de financiamento CAPES/PDSE (2025/2026). Mestra em Estudos da Tradução (PGET-UFSC, 2023). Licenciada em Letras Espanhol (UFSC, 2015) e em Língua Portuguesa e Literaturas (UFSM, 2005).

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Publicado

2026-07-09

Cómo citar

CESCO, Andrea; ANTONELLI PIVETTA, Luzia. MÉDICOS, BOTICÁRIOS E A INTRADUZIBILIDADE DA SÁTIRA:: QUEVEDO NOS SUEÑOS Y DISCURSOS. Revista Graphos, [S. l.], v. 27, n. 3, p. 84–101, 2026. DOI: 10.22478/ufpb.1516-1536.2025v27n3.76426. Disponível em: https://periodicos.ufpb.br/index.php/graphos/article/view/76426. Acesso em: 14 jul. 2026.

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