RECORDAR O VAZIO
QUIPUS COMO SABERES PERFORMADOS POR CECILIA VICUÑA, ESTA ESTRANHA TRADUTORA
DOI:
https://doi.org/10.22478/ufpb.1516-1536.2025v27n3.76125Palavras-chave:
Quipu, memória, tradução, vazio, Cecilia VicuñaResumo
Este ensaio procura investigar a obra da artista chilena Cecilia Vicuña de maneira relacional aos quipus andinos, a partir de O quipu que não recorda nada como reinscrição mnemônica de resistência. O objetivo é compreender como Vicuña vem transformando esse artefato ancestral em uma prática artística e política de tradução e reinvenção cultural. Para tanto, a metodologia consiste em analisar interdisciplinarmente suas obras, articulando estudos da performance (Taylor, 2013), filosofia andina (Cusicanqui, 2021) e crítica da tradução (Benjamin, 2013; Faleiros, 2019). O vazio, central em seus quipus, é reinterpretado como espaço de criação e possibilidade, e não mera ausência, operando uma “tradução canibal” que restitui sentidos apagados pela colonialidade, ativando um presente ancestral em objetos que transcendem o material em performances vivas que rompem com dicotomias. Obras como Sonoran Quipu exemplificam seu método colaborativo e precário, que desestabiliza fronteiras entre arte e vida, artista e público. Assim, sua poética age em consonância com o ato de “caminhar ao contrário”: um gesto contracolonial que busca reverter os apagamentos históricos e imaginar novos horizontes de existência e conexão planetária.
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