EPISTEME E DISCURSO NA EDUCAÇÃO ESCOLAR INDÍGENA

políticas curriculares no Brasil e na Colombia

Autores

DOI:

https://doi.org/10.15687/rec.v18i3.77268

Palavras-chave:

políticas curriculares, educação escolar indígena, ciências humanas

Resumo

O artigo analisa, a partir de uma perspectiva histórica e epistemológica, a constituição das ciências humanas nas políticas e nos processos curriculares da educação escolar indígena na Colômbia e no Brasil. Metodologicamente, adota uma abordagem foucaultiana baseada nos conceitos de episteme, discurso e giro epistêmico, com o objetivo de compreender como os saberes e as práticas educativas foram configurados nesses contextos. O décimo capítulo de As palavras e as coisas, de Michel Foucault (“As ciências humanas”), serve como referencial teórico central para desvendar as relações entre poder e conhecimento que influenciaram a configuração das políticas curriculares voltadas aos povos indígenas. Os resultados mostram que as epistemologias indígenas foram, ao longo do tempo, integradas, marginalizadas ou transformadas nos sistemas educacionais dos dois países, revelando tensões persistentes entre os saberes tradicionais e os modelos educacionais hegemônicos. Nesse sentido, o estudo destaca como as ciências humanas contribuíram tanto para a institucionalização de discursos dominantes quanto para o surgimento de formas de resistência epistêmica. Conclui-se que é necessário repensar as políticas educacionais a partir de uma perspectiva decolonial que reconheça e valorize os saberes indígenas como parte fundamental dos processos de ensino e aprendizagem, enriquecendo, assim, a compreensão da educação indígena e questionando as estruturas de poder que sustentam a produção, legitimação e circulação do conhecimento.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Mayra Del Socorro Nazate Perenguez, Universidade Estadual do Amazonas – Manaus, Amazonas, Brasil.

Licenciada em Filosofia e Letras pela Universidade de Caldas, Colômbia. Mestrado em Educação pela Universidade Estadual do Amazonas.

Mauro Gomes da Costa, Universidade do Estado do Amazonas – Manaus, Amazonas, Brasil.

Doutor em Educação pela Universidade Estadual de Campinas. Docente na Universidade do Estado do Amazonas.

Adria Simone Duarte de Souza , Universidade do Estado do Amazonas – Manaus, Amazonas, Brasil.

Doutora em Educação pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Docente na Universidade do Estado do Amazonas.

Referências

BRASIL. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Brasília, DF: Presidência da República. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9394.htm. Acesso em: 4 jan. 2026.

COLÔMBIA. Ley 115, de febrero 8 de 1994. Por la cual se expide la Ley General de Educación. Bogotá: Congreso de la República, 1994. Disponível em: https://www.mineducacion.gov.co/1621/articles-85906_archivo_pdf.pdf. Acesso em: 4 jan. 2026.

COLÔMBIA. Decreto 804, de 18 mayo de 1995. Por el cual se reglamenta la atención educativa para los grupos étnicos. Bogotá: Presidencia de la República, 1995. Disponível em: https://www.funcionpublica.gov.co/eva/gestornormativo/norma.php?i=1377. Acesso em: 4 jan. 2026.

FOUCAULT, Michel. Las palabras y las cosas: Una arqueología de las ciencias humanas. Buenos Aires, Argentina: Siglo XXI Editores, 1966.

HERNAIZ, Ignacio (Org.). Educação na diversidade: experiências e desafios na educação intercultural bilíngue. Organização e tradução de Maria Antonieta Pereira et al. 2. ed. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade; Unesco, 2007.

MAINARDES, Jefferson. Abordagem do ciclo de políticas: uma contribuição para a análise de políticas educacionais. Educação & Sociedade, Campinas, v. 27, n. 94, p. 47-69, 2006. Disponível em: https://www.scielo.br/j/es/a/NGFTXWNtTvxYtCQHCJFyhsJ/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 15 dez. 2025.

MELIÀ, Bartomeu. Educação indígena e alfabetização. São Paulo: Loyola, 1979. Disponível em: https://etnolinguistica.wdfiles.com/local--files/biblio%3Amelia-1979 educação/Melia_1979_EducacaoIndigenaEAlfabetizacao.pdf. Acesso em: 20 out. 2025.

PERENGUEZ, Mayra del Socorro; SOUZA, Adria Simone Duarte de. Aproximações e diferenças das políticas curriculares para a educação escolar indígena entre Brasil e Colômbia. In: SEMINÁRIO (DES)FAZENDO SABERES NA FRONTEIRA, 2025, São Borja, RS. Anais… São Borja, RS: Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA), 2025.

VASCO, URIBE LUIS. Así es mi método en etnografía. Tabula Rasa, n. 6, p. 19-52, 2007. Disponível em: https://doi.org/10.25058/20112742.285. Acesso em: 20 out. 2025.

WALSH, Catherine. Interculturalidad crítica y educación intercultural. In: SEMINARIO INTERCULTURALIDAD Y EDUCACIÓN INTERCULTURAL, 2009, La Paz. Anais… La Paz, Bolivia: Instituto Internacional de Integración del Convenio Andrés Bello, mar. 2009. p. 9–11. Disponível em: http://sermixe.org/wp-content/uploads/2020/08/Lectura10.pdf

. Acesso em: 20 out. 2025.

Publicado

04-01-2026

Como Citar

NAZATE PERENGUEZ, Mayra Del Socorro; COSTA, Mauro Gomes da; SOUZA , Adria Simone Duarte de. EPISTEME E DISCURSO NA EDUCAÇÃO ESCOLAR INDÍGENA: políticas curriculares no Brasil e na Colombia. Revista Espaço do Currículo, [S. l.], v. 18, n. 3, p. e77268, 2026. DOI: 10.15687/rec.v18i3.77268. Disponível em: https://periodicos.ufpb.br/index.php/rec/article/view/77268. Acesso em: 14 jun. 2026.

Artigos Semelhantes

<< < 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 > >> 

Você também pode iniciar uma pesquisa avançada por similaridade para este artigo.