Negacionismo científico e pós-verdade:
novos desafios à Educação Popular em Ciências
DOI:
https://doi.org/10.22478/ufpb.2359-7003.2026v35n1.74489Palavras-chave:
Educação popular; Negacionismo científico; Pós-verdadeResumo
O surgimento de uma “nova extrema direita” no Brasil e em algumas partes do mundo, inaugurou um movimento de retrocesso sócio político que conduziu a recuos em aspectos fundamentais do pensamento crítico. Em março de 2020, enquanto o mundo era assolado pela pandemia do COVID-19, começaram a circular discursos de ódio contra as universidades públicas e uma nova versão de negacionismo científico evidenciado em narrativas que colocavam em dúvida a eficácia de vacinas, dados científicos sobre desmatamento, aquecimento global até a negação da esfericidade da Terra. No enfrentamento ao inimigo diferente, novos discursos foram articulados e improváveis alianças políticas tornaram-se justificáveis, numa mesma dinâmica que também afetará o discurso epistemológico e o ensino de ciências. Neste ensaio, objetivamos examinar e discutir esta movimentação do pensamento crítico em relação à ciência em tempos de negacionismo e pós-verdade. Cenário controverso que impôs novas questões aos envolvidos em projetos de educação popular em ciências. Sobretudo, no que diz respeito a sustentação da “boa crítica da ciência” que, sem recorrer ao enrijecimento objetivista, também não se deixa seduzir aos apelos do falso relativismo e simplificação grosseira do pensamento pós-moderno e do que se nomeou de pós-verdade.
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