SE NÃO SE SABE DE ANTEMÃO COMO ALGUÉM VAI APRENDER, COMO AVALIAR NA EDUCAÇÃO INFANTIL?

Larissa Ferreira Rodrigues Gomers, Ana Cláudia Santiago Zouain, Kezia Rodrigues Nunes

Resumo


Em tempos de implementação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que interfere diretamente no tripé Currículo, Formação Docente e Avaliação, o presente artigo coloca em questão os procedimentos avaliativos para além de uma lógica classificatória. Como campo problemático questiona como estabelecer, previamente, critérios avaliativos para a Educação Infantil, se nunca se sabe de antemão como alguém vai aprender? Como intercessores teóricos mobiliza os estudos de Carvalho (2009; 2012); Deleuze (2003; 2007); Esteban; Lacerda (2012); Kohan (2005); Lopes (2015); Sousa (1997; 2014). Metodologicamente, organiza uma problematização documental, a partir das legislações educacionais para a Educação Infantil e da BNCC, assim como, pelo acompanhamento dos registros de outras escritas possíveis dos processos aprendentes produzidos por professoras de um Centro de Educação Infantil da Universidade Federal do Espírito Santo. Primeiramente, apresenta um breve histórico de como se constituíram os processos legislativos e de avaliação na Educação Infantil; posteriormente, dialoga sobre a aprendizagem e avaliação como algo processual e relacional; faz uma aposta na aprendizagem inventiva proporcionada pelos encontros vividos nos cotidianos escolares; nos sujeitos de saberes, fazeres e poderes, considerando a avalição como acompanhamento dos processos aprendentes; por fim, traz uma crítica a imposição de critérios previamente estabelecidos para a avaliação da aprendizagem na infância, como os que se destacam na BNCC. Sendo assim, não há como determinar de que maneira alguém aprende, sendo necessário apostar em processos de avaliação onde professores e alunos são coautores do ensino e da aprendizagem, para além da lógica quantificável e dicotômica que predomina na Educação.

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DOI: https://doi.org/10.22478/ufpb.1983-1579.2019v12n2.40925

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