CURRÍCULO, CONTROLE E RESISTÊNCIA
uma leitura foucaultiana da Educação Matemática
Palavras-chave:
currículo, Educação Matemática, Foucault, etnomatemática, poderResumo
Este ensaio propõe uma reflexão crítica sobre os jogos de poder que atravessam o currículo de Matemática, tomando como ponto de inflexão o Movimento da Matemática Moderna e suas reverberações na constituição de sujeitos escolares. A partir da teoria foucaultiana, discute-se como a Educação Matemática, historicamente marcada por um discurso de exatidão, neutralidade e universalidade, opera como dispositivo de normalização dos corpos e das condutas, bem como arauto da matemática. A partir de análise documental do período, busca-se evidenciar como determinadas racionalidades curriculares se inscrevem como práticas de controle e como tais efeitos de verdade ainda reverberam nas políticas atuais. Em contraponto, tensiona-se a etnomatemática não como alternativa ou substituição, mas como gesto de desobediência epistêmica que desestabiliza os regimes de verdade e abre possibilidades de pluralidade e insurgência curricular. Longe de apresentar respostas prontas, este texto assume-se como cartografia inacabada de um professor-pesquisador em processo: mais interessado em escutar e hesitar do que em propor soluções definitivas. Trata-se, assim, de um convite à problematização ética e política da Educação Matemática como campo de disputas, sujeições e (possíveis) insurgências.
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