EDUCAÇÃO INTEGRAL EM REDE
processos de forma(ta)ção do cidadão
DOI:
https://doi.org/10.15687/rec.v18i3.76591Palavras-chave:
Educação Integral, redes políticas, teoria do discurso, investimento radicalResumo
O presente artigo discute as relações entre a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e a noção de Educação Integral, compreendendo ambas como produções discursivas atravessadas por disputas políticas, econômicas e ideológicas. Partimos do entendimento de que a BNCC mobiliza a noção de integralidade como estratégia de legitimação da qualidade educacional, associando-a à formação do chamado “cidadão do século XXI”, sujeito projetado a partir de competências e habilidades padronizadas. Com base na Teoria do Discurso e nas contribuições de Stephen Ball sobre redes políticas e governança neoliberal, analisamos como diferentes atores e instituições se articulam, reforçando uma lógica de mercado e de regulação, evidenciados na rede política desenvolvida em estudos anteriores. Compreendemos que essa articulação constrói uma ideia de integralidade que tende a uniformizar o sujeito, reduzindo-o a um conjunto de competências cognitivas e socioemocionais consideradas essenciais e universais. Defendemos a integralidade como um significante aberto à disputa e à reinvenção. Com vistas a romper com a lógica hegemônica de formação de um cidadão para o século XXI, operamos com a noção de investimento radical como aposta política e ética em processos formativos que reconhecem a incerteza, a diferença e a multiplicidade dos sujeitos, defendendo que educar é um gesto de insurgência em que o currículo e a Educação Integral se afirmam como campos de disputa e de criação: um ato de mobilização do porvir.
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