A PRODUÇÃO DE CORPOS DOSENTES NAS AULAS DE MATEMÁTICA DOS ANOS INICIAIS
Palavras-chave:
currículos de matemática, corpo, cartografia, filosofia da diferençaResumo
Este artigo analisa como os currículos de matemática operam como dispositivos de poder que podem tanto potencializar quanto inibir a vida em um contexto situado. A partir da cartografia como método de pesquisa e da filosofia da diferença como referencial teórico, foram acompanhadas práticas e narrativas de professoras e de um professor dos anos iniciais do Ensino Fundamental, durante um curso de extensão que articulou Educação Matemática, corpo e arte. Este curso foi pensado e organizado no âmbito de uma pesquisa pós-doutorado. Para a análise dos dados produzidos, tomam-se os conceitos como linhas de segmentaridade dura, molecular e de fuga, fundamentada na filosofia da diferença, permitiu perceber como essas linhas atravessam e compõem os currículos, ora promovendo controle e normatização, ora possibilitando escapes e invenções. Entende-se que tais linhas não podem ser hierarquizadas ou completamente desembaraçadas, mas tateadas com prudência, numa abordagem sensível que favoreça modos de existir menos capturados. Conclui-se que a experimentação dessas linhas — mais do que sua fixação — pode contribuir para práticas curriculares que se abram ao desejo, à criação e à afirmação da vida.
Downloads
Referências
AGAMBEN, Giorgio. O que é o contemporâneo? e outros ensaios. Tradução de Vinicius Nicastro Honesco. Chapecó, SC: Argos, 2009.
ASSUNÇÃO, Ricardo Gomes. Processos de exclusão pela matemática: enunciados de alunos do Ensino Médio e do Ensino Superior. 2022. 372f. Tese (Doutorado em Educação). Programa de Pós-Graduação em Educação Matemática da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, 2022.
BARACUHY, Regina; PEREIRA, Tânia Augusto. A biopolítica dos corpos na sociedade de controle. Gragoatá, v. 18, n. 34, p. 317-330, 2013. Disponível em: https://periodicos.uff.br/gragoata/article/view/32974. Acesso em: 22 jan. 2026.
CONTAGE, Daniel Gaivota; TARAMONA-TRIGOSO, José Maria. Mapear o indizível: experiências para uma discursividade outra do espaço. Porto Das Letras, [S. l.], v. 9, n. 1, p. 336–359, 2023. Disponível em: https://sistemas.uft.edu.br/periodicos/index.php/portodasletras/article/view/15712. Acesso em: 8 jun. 2025.
DAMÁSIO, António. A estranha ordem das coisas: as origens biológicas dos sentimentos e da cultura. 1. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2018.
DARDOT, Pierre; LAVAL, Christian. A nova razão do mundo: ensaio sobre a sociedade neoliberal. São Paulo: Editora Boitempo, 2016. 402p.
DELEUZE, Gilles. Conversações. São Paulo: Ed 34, 1992.
DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix. Mil Platôs (Capitalismo e Esquizofrenia). Vol. 3. Trad. de Aurélio Guerra Neto e Célia Pinto Costa. Rio de Janeiro: Editora 34, 1996.
DERRIDA, Jacques. Pensar em não ver - escritos sobre as artes do visível (1979-2004). (Org.) Ginette Michaud; Joana Masó; Javier Bassas. Trad. Marcelo Jacques de Moraes. Florianópolis: UFSC, 2012.
FERNANDES, Filipe Santos. Pelas bruxas de Agnesi no currículo: educabilidades de uma matemática no feminino. In: PARAÍSO, Marlucy Alves; CALDEIRA, Maria Carolina da Silva (Orgs.). Pesquisas sobre currículos, gêneros e sexualidades. Belo Horizonte: Mazza Edições, 2018. p. 139–152.
FERRAZ, Wagner. Corpo a Dançar: Entre Educação e Criação de Corpos. 2014. 190f. Dissertação (Mestrado em Educação) Universidade Federal do Reio Grande do Sul, Faculdade de Educação, Programa de Pós-Graduação em Educação, Porto Alegre, RS, 2014.
FOUCAULT, Michel. Microfísica do poder. Rio de Janeiro: Graal, 1996.
GREINER, Christine. O Corpo: Pistas para Estudos Indisciplinares. São Paulo: Annablume, 2005.
KASPER, Kátia Maria. Dos corpos sentados aos gestos em fuga: estatutos dos corpos em processos de formação. Revista da Faculdade de Educação, [S. l.], v. 15, n. 1, p. 79–95, 2019. Disponível em: https://periodicos.unemat.br/index.php/ppgedu/article/view/3786. Acesso em: 24 fev. 2025.
LIMA, Yasmin Cartaxo. Esboço de uma teoria de capital de sexualidade no campo educacional brasileiro. 2021. 114f. Dissertação (Mestrado em Educação). Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 2021.
LOBATO, Lidia Sarges. O currículo e seus efeitos na subjetividade de uma mulher artesã do Miriti. 2019. 94f. Dissertação (Mestrado em Currículo e Gestão da Escola Básica). Universidade Federal do Pará, Belém, 2019.
LOURO, Guacira. Corpo, escola e identidade. Revista Educação & Realidade, [S. l.], v. 25, n. 2, p. 59-75, 2000. Disponível em: https://seer.ufrgs.br/index.php/educacaoerealidade/article/view/46833. Acesso em: 8 jun. 2025.
MOREIRA, Priscila dos Santos. Uma viagem cartográfica entre encontrosformação com licenciandos: uma experimentação no Instituto Federal do Espírito Santo. 2019. 253f. Tese (Doutorado em Educação). Universidade Federal do Espírito Santo, Vitória, 2019.
PARAÍSO, Marlucy Alves. Um currículo entre formas e forças. Educação, v. 38, n. 1, p.49-58, 2015. Disponível em: https://doi.org/10.15448/1981-2582.2015.1.18443. Acesso em 22 jan. 2026.
PARAÍSO, Marlucy Alves. Currículos: teorias e políticas. 1ª ed. São Paulo: Editora Contexto, 2023.
RIOS, Pedro Paulo Souza. O estranho que habita em mim: narrativas de vida e formação de professores gays no semiárido baiano. 2019. 189f. Tese (Doutorado em Educação). Universidade Federal de Sergipe, São Cristóvão, 2019.
ROLNIK, Suely. Cartografia Sentimental: transformações contemporâneas do desejo. 2ªed., Porto Alegre: Sulina; Editora da UFRGS, 2014.
ROLNIK, Suely. Geopolítica da cafetinagem. 2006. Recuperado de: Disponível em: http://www4.pucsp.br/nucleodesubjetividade/Textos/SUELY/Geopolitica.pdf. Acesso em: Acesso em 22 jan. 2026.
UNO, Kuniichi. A gênese de um corpo desconhecido. Trad. Christine Greiner com colaboração de Ernesto Filho e Fernanda Raquel. 2. ed. São Paulo: n-1 edições, 2012.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2024 Revista Espaço do Currículo

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Ao submeter um artigo à Revista Espaço do Currículo (REC) e tê-lo aprovado, os autores concordam em ceder, sem remuneração, os seguintes direitos à Revista Espaço do Currículo: os direitos de primeira publicação e a permissão para que a REC redistribua esse artigo e seus metadados aos serviços de indexação e referência que seus editores julguem apropriados.
