A PRODUÇÃO DE CORPOS DOSENTES NAS AULAS DE MATEMÁTICA DOS ANOS INICIAIS

Autores

Palavras-chave:

currículos de matemática, corpo, cartografia, filosofia da diferença

Resumo

Este artigo analisa como os currículos de matemática operam como dispositivos de poder que podem tanto potencializar quanto inibir a vida em um contexto situado. A partir da cartografia como método de pesquisa e da filosofia da diferença como referencial teórico, foram acompanhadas práticas e narrativas de professoras e de um professor dos anos iniciais do Ensino Fundamental, durante um curso de extensão que articulou Educação Matemática, corpo e arte. Este curso foi pensado e organizado no âmbito de uma pesquisa pós-doutorado. Para a análise dos dados produzidos, tomam-se os conceitos como linhas de segmentaridade dura, molecular e de fuga, fundamentada na filosofia da diferença, permitiu perceber como essas linhas atravessam e compõem os currículos, ora promovendo controle e normatização, ora possibilitando escapes e invenções. Entende-se que tais linhas não podem ser hierarquizadas ou completamente desembaraçadas, mas tateadas com prudência, numa abordagem sensível que favoreça modos de existir menos capturados. Conclui-se que a experimentação dessas linhas — mais do que sua fixação — pode contribuir para práticas curriculares que se abram ao desejo, à criação e à afirmação da vida.

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Biografia do Autor

Débora Reis Pacheco, Universidade Federal do Paraná – Curitiba, Paraná, Brasil.

Doutora em Educação Matemática pela Universidade Federal do Mato Grosso do Sul.

Elenilton Vieira Godoy, Universidade Federal do Paraná – Curitiba, Paraná, Brasil.

Doutor em Educação pela Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo. Docente na Universidade Federal do Paraná.

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Publicado

15-02-2026

Como Citar

PACHECO, Débora Reis; GODOY, Elenilton Vieira. A PRODUÇÃO DE CORPOS DOSENTES NAS AULAS DE MATEMÁTICA DOS ANOS INICIAIS. Revista Espaço do Currículo, [S. l.], v. 16, n. Ahead of Print (AOP), p. e74472, 2026. Disponível em: https://periodicos.ufpb.br/index.php/rec/article/view/74472. Acesso em: 15 abr. 2026.

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