A COLINA, O ELETRICISTA E O MILAGRE
uma história não contada da formação profissional da população negra no Brasil
DOI:
https://doi.org/10.15687/rec.v19i1.78259Palavras-chave:
escrevivência, oralitura, educação profissional, população negra, historiografiaResumo
Este artigo nasce do confronto entre memórias e saberes movimentados no cotidiano de um grupo familiar negro e os processos de produção de invisibilidade que atravessam as bases históricas e conceituais que estruturam os currículos oficiais da EPT no Brasil. Ao apresentar essas narrativas e tensionar essas ausências, abriram-se frestas para outras histórias, aquelas que persistem nas memórias e nos saberes que resistem ao apagamento. Como caminho, a escrevivência e a oralitura são assumidas não apenas como recursos narrativos, mas como gestos epistemológicos que inscrevem no texto experiências vividas, vozes e ancestralidade. Em diálogo com perspectivas afrorreferenciadas, a pesquisa mobiliza conversas, registros e lembranças de um grupo familiar negro, reconstruindo trajetórias de formação “no”, “do”, “com” e “para” o mundo do trabalho, em seus próprios termos. As conversas revelam que a formação profissional da população negra se tece em múltiplos tempos, espaços e sentidos, historicamente desconsiderados pela literatura da área. Ao trazer essas experiências à cena, o estudo aponta para a urgência de ampliar as bases epistemológicas da EPT, reconhecendo a pluralidade de saberes e modos de existir, presentes nos currículos cotidianos, como condição para a construção de uma educação verdadeiramente emancipadora “na”, “da” e “para” a população brasileira.
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